Entre muitos aplausos e um apagão, Sir Andy Murray triunfa no regresso a Wimbledon

Quatro longos anos depois, Andy Murray voltou a disputar um encontro de singulares no torneio de Wimbledon e o desfecho fez as delícias aos milhares de espetadores que encheram o Centre Court do All England Club, com o ex-número um mundial (agora 118.º do ranking) a derrotar o sempre perigoso Nikoloz Basilashvili (28.º) por 6-4, 6-3, 5-7 e 6-4 depois de 3h15 e já sob os holofotes para receber uma ovação tão alta quanto a que lhe deu as boas vindas a meio da tarde.

A jogar em casa, o britânico de 34 foi quase perfeito durante a primeira parte do encontro. Com um ténis clássico, apoiado num serviço apurado, numa pancada de slice bem adaptada à superfície e em amorties alternados com exímias subidas à rede, Murray deu muito poucas hipóteses a Basilashvili — que este ano derrotou Roger Federer no ATP 250 de Doha — e esteve pertíssimo de assinar um triunfo “limpo” em três partidas, mas ao 5-0 do terceiro set os nervos abraçaram-no: primeiro perdeu uma quebra de serviço, depois a segunda e a terceira (pelo meio teve dois match points) e, finalmente, o parcial, com o tenista da Geórgia a encaixar sete (!) jogos consecutivos para reduzir a diferença numa altura em que os jogadores recolheram aos balneários para que se fechasse a cobertura do Centre Court e se ligasse a iluminação artificial.

Na retoma, recomposto da grande vantagem que deixou escapar e do que colocou em causa (sobretudo fisicamente) ao obrigar-se a uma “segunda parte”, Murray voltou a exibir-se a um bom nível e colocou a Basilashvili os problemas necessários para conseguir seguir em frente.

A vitória desta segunda-feira foi a primeira do tenista britânico em singulares em Wimbledon desde 2017, ano em que falhou a defesa do título (ficou-se pelos quartos de final) e definiu o fim da primeira fase da carreira para o tenista natural de Glasgow, que entre as duas aparições mais recentes na variante de singulares “em casa” passou por duas delicadas operações à anca que lhe causaram muitas dúvidas e chegaram a levá-lo a terminar a carreira.

Campeão em 2013 e 2016, Andy Murray não tem sob si a aura de outros tempos, mas tem a vantagem de pisar a relva do All England Club sem a pressão desses mesmos anos de glória e, apesar da idade avançada e dos muitos problemas físicos dos últimos anos, continua a ter no olhar o desejo de vitória que poderá fazer dele um dos tenistas mais perigosos desta primeira semana e, quem sabe, da segunda. Convém não esquecer que já jogou 11 finais em torneios do Grand Slam…

Aplaudido de pé no momento do regresso ao Centre Court, Murray recebeu uma segunda “standing ovation” no momento em que a árbitro de cadeira, Eva Asderaki-Moore, cantou vitória. E agora terá cerca de um dia e meio para preparar o duelo da segunda eliminatória, contra o vencedor do encontro entre os qualifiers Oscar Otte (151.º) e Arthur Rinderknech (109.º).

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