João Sousa com presença garantida nos Jogos Olímpicos se acontecerem no verão

Numa fase em que os esforços de contenção da propagação da pandemia do novo coronavírus são o que de mais importante há nas vidas de cada um de nós, a única certeza é a de que esta situação vai ser ultrapassada. Por isso, no ténis, tal como em todos os outros assuntos, são mais as dúvidas do que as garantias — o que nos leva a alertar que, assim como o que aqui escrevemos, também este cenário está dependente de um “se”.

Se os Jogos Olímpicos acontecerem no verão de 2020.

Mas como na quarta-feira o Comité Olímpico Internacional (COI) “chutou para o lado” a possibilidade de adiar (pelo menos para já) a edição de Tóquio e reiterou que neste momento se mantém a intenção de a realizar nas datas previstas — ou seja, de 24 de julho a 9 de agosto —, a situação merece ser apresentada.

Caso a prova vá mesmo para a frente, João Sousa tem a presença assegurada no torneio de ténis (que se joga entre 25 de julho e 2 de agosto).

Isto porque o tenista português ocupa a 66.ª posição no ranking que foi congelado pela ATP e seguindo os critérios olímpicos fica em posição de qualificação, uma vez que até à data original de cut-off (8 de junho) não voltará a haver ténis — a suspensão decretada pela ATP, pela WTA e pela ITF termina precisamente nessa semana.

Que critérios são esses? Simples: o quadro será de 64 jogadores, com seis vagas continentais, uma para o país organizador, um convite para um campeão olímpico ou vencedor de um Grand Slam e as restantes destinadas aos 56 primeiros do ranking.

Mas entre esses só podem estar quatro representantes de cada país, o que significa que há automaticamente 11 tenistas que saem do caminho de João Sousa: os franceses Richard Gasquet, Jeremy Chardy, Jo-Wilfried Tsonga, Gilles Simon e Lucas Pouille; os espanhóis Fernando Verdasco, Pablo Andujar, Feliciano López; e os norte-americanos Tennys Sandgren, Tommy Paul e Steve Johnson. Todos eles terão de ficar de fora do quadro de singulares dos Jogos Olímpicos por terem um quarteto de compatriotas melhor classificados.

Para além destes, Dominic Thiem já fez saber que não planeia disputar os Jogos Olímpicos: amante e especialista da terra batida, o austríaco vai apontar todos os esforços para a prova seguinte, marcada para as instalações de Roland Garros no ano de 2024.

Contas feitas, João Sousa ocupa o 54.º da lista de jogadores elegíveis para o quadro principal de singulares se o ranking utilizado for o que esta semana foi congelado até ao presumível regresso dos circuitos, a 8 de junho — o que será praticamente obrigatório caso os Jogos Olímpicos sempre aconteçam no verão.

O único cenário que deixaria o vimaranense sem certezas é o possível (e nesta altura já nada surpreendente…) adiamento dos Jogos Olímpicos. Se a competição ficar para o próximo ano, é lógico que a Federação Internacional de Ténis defina uma nova data para o cut-off porque entretanto os jogadores vão regressar à competição e com eles regressam as movimentações na tabela classificativa; se se jogar ainda este ano mas noutra data, provavelmente dependerá da leitura que a ITF fizer ao tempo de competição existente entre o recomeço dos circuitos e o novo cut-off.

Menos sorte tem, para já, Pedro Sousa, que até 8 de junho teria muitas semanas para somar mais pontos na sua superfície predileta e assim fica impedido de progredir. Número 110 no ranking congelado, o tenista lisboeta ocupa o 91.º lugar na corrida olímpica aplicando os mesmos critérios. A boa notícia é que caso o ténis regresse a tempo poderão ser vários os jogadores a mudarem de ideias e abdicarem do torneio olímpico — que não dá pontos… — para recuperarem o tempo perdido no circuito ATP.

Como frisámos no início, neste momento são mais os “ses” do que as certezas. Mas a esperança não desaparece e caso o ténis volte a tempo aqui está pelo menos uma boa notícia.

Por agora, se puder, por favor fique em casa.

Atualizado às 18h51 de dia 22 de março com as datas corretas do torneio de ténis.

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