História do avesso: Medvedev aborta Grand Slam de Djokovic e conquista o US Open

O palco estava preparado, os foguetes reunidos e as publicações à espera do último clique, mas Daniil Medvedev tinha outros planos: na noite em que Novak Djokovic se podia tornar no segundo homem da história da Era Open a alcançar o Grand Slam, o russo virou a história do avesso ao vencer por 6-4, 6-4 e 6-4 para se sagrar campeão do US Open e conquistar, em Nova Iorque, o único “Major” que escapou ao sérvio num ano de 2021 que ficou a um triunfo de ganhar contornos épicos.

Habitualmente contido no momento de manifestar emoções, este domingo o número dois mundial deixou os hábitos recentes para trás e cerrou o punho, ergueu os braços e rugiu à medida que construiu uma exibição autoritária — mas que nem precisou de ser extraordinária — para impor ao líder do ranking a primeira e única derrota do ano em torneios do Grand Slam, celebrada com um “cair no court” e um respirar de alívio que ficarão eternizados na história da modalidade.

Pelo que estava em jogo — para além de ter em cima da mesa a possibilidade de repetir o feito apenas alcançado (no circuito masculino) por Rod Laver em 1969 ao conquistar o Australian Open, Roland-Garros, Wimbledon e o US Open no mesmo ano, Djokovic tinha também, pela primeira vez, a hipótese de superar Roger Federer e Rafael Nadal em títulos desta importância — era expectável que a pressão tocasse à porta do tenista sérvio, mas o que aconteceu em court superou todas as expetativas.

Com 27 vitórias em 27 encontros disputados em torneios do Grand Slam em 2021, Novak Djokovic, que nunca foi parco em palavras nos momentos de comentar a possibilidade de fazer história, sentiu nos ombros o peso da ocasião e demonstrou-o desde cedo, ao apostar em inúmeras subidas à rede para, sem sucesso, tentar quebrar os padrões de jogo a Daniil Medvedev e procurar uma rota alternativa para o 28.º e derradeiro triunfo.

E ao 6-4, 6-4 e 5-4, quando Medvedev se preparava para servir para o encontro pela segunda vez, depois de ter sido quebrado na primeira (com duas duplas faltas e muito nervosismo à mistura), deu-se o momento em que foram desfeitas todas as dúvidas: enquanto o público — a seu favor como em raríssimas ocasiões, chegando a ganhar contornos de uma final de Taça Davis — procurava dar-lhe um último empurrão, Djokovic, com a toalha em torno da cabeça, foi vencido pelas emoções e, entre soluços, deixou escorrer as lágrimas que comprovaram tratar-se de um ser de carne e osso.

Djokovic caiu às portas da glória eterna e manteve-se empatado com os arquirrivais Federer e Djokovic na primeira linha de mais titulados em torneios do Grand Slam no que ao circuito masculino diz respeito, enquanto Medvedev se juntou a Juan Martin del Potro, Andy Murray e Stan Wawrinka no restritíssimo grupo leque de tenistas que derrotaram um membro dos chamados Big 3 em finais de torneios do Grand Slam.

Última atualização às 00h17.

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