Zverev vence Tsitsipas com apupos e telemóveis à mistura a caminho de mais uma final

Há casos em que o espetacular se torna banal e é o inesperado que reúne mais atenções e o final de jornada deste sábado em Cincinnati, no Ohio, foi um deles, com Alexander Zverev a derrotar Stefanos Tsitsipas num encontro que teve de tudo um pouco — desde apupos, a telemóveis e, sobretudo, muito bom ténis — para carimbar o apuramento para a final do ATP Masters 1000 norte-americano.

O resultado final estabeleceu-se em 6-4, 3-6 e 7-6(4) a favor do alemão, número cinco mundial, mas foi a forma como o encontro se desenrolou que mais deu que falar: depois de perder o primeiro set para o novo campeão olímpico, Tsitsipas fez uso da pausa a que tem direito para recolher aos balneários. Mas se os regulamentos o permitem, pelo contrário dizem que está interdita qualquer comunicação entre o jogador e a sua equipa técnica e foi disso que Zverev o acusou, queixando-se ao árbitro de cadeira que o adversário tinha levado consigo o saco e todas as suas coisas — numa fase em que a equipa de realização já mostrava a todo o mundo imagens do pai, Apostolos Tsitsipas, agarrado ao telemóvel.

Se a comunicação com o filho foi ou não estabelecida pouco provavelmente se saberá, mas o episódio marcou e alterou quase de forma decisiva o encontro: Zverev perdeu a concentração, o discernimento e o ascendente, dando a Tsitsipas a janela de oportunidade necessária para encestar a recuperação, apoiado num quase automático elevar do nível da resposta para, de forma clara, passar para o seu lado o controlo de quase todos os acontecimentos.

Uma semana depois de ter deixado escapar uma vitória quase certa frente a Reilly Opelka (nas meias-finais de Toronto) e 24 horas após não se ter deixado afetar pelos dois match points desperdiçados no segundo set frente a Félix Auger-Aliassime, “El Greco” mais do que se encaminhou para uma importante vitória em termos anímicos, mas havia um último ato guardado para a reta final: ao 3-5, quando já nada o fazia perder, Zverev ganhou uma “segunda vida” e, com um break autoritário ao 4-5 (quando o adversário serviu para o encontro) e um tie-break de vários mini-breaks, confirmou uma recuperação em que a dada altura já nem o próprio pareceu acreditar.

Aos 24 anos, Alexander Zverev está a um passo de conquistar o segundo ATP Masters 1000 do ano e o quinto da carreira, depois de vitórias em Roma e Toronto 2017, Madrid 2018 e 2021. Pelo meio, também disputou as finais de Miami e Roma em 2018, Xangai em 2019 e Paris em 2020, mas nesta altura o mais importante é recordar que há menos de duas semanas o alemão se sagrou campeão olímpico em Tóquio. Segue-se Andrey Rublev, que depois de surpreender Daniil Medvedev terá mais uma oportunidade de conquistar o título mais importante da carreira.

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