Reilly Opelka já não é só o “gigante” de 2,11 metros — agora é finalista de um Masters 1000

Reilly Opelka está longe de ser um dos tenistas mais populares do circuito, ou dos mais completos, mas a partir deste domingo pertence ao grupo de finalistas de ATP Masters 1000. E se é verdade que os 2,11 metros e o potente serviço são as suas grandes características, também o é que para derrotar Stefanos Tsitsipas por 6-7(2), 7-6(4) e 6-4 precisou de mais do que uma primeira pancada apurada.

Longe de pertencer ao lote inicial de candidatos à vitória em Toronto, o norte-americano de 23 anos já tinha deixado claro estar pronto para uma grande semana ao derrotar Nick Kyrgios e Grigor Dimitrov nas primeiras rondas, mas mesmo depois de derrotar Lloyd Harris e Roberto Bautista Agut nos encontros seguintes a tarefa de superar Stefanos Tsitsipas nas meias-finais deste sábado parecia de outra dimensão — de certa forma inacessível ao “gigante” que até aqui pouca mossa tinha feito aos grandes nomes.

Mas uma exibição inspirada, feita de 46 winners em que “apenas” 17 foram ases, permitiu a Opelka criar mais dificuldades do que as esperadas a Tsitsipas, a quem na véspera atribuíra “a melhor direita do circuito na atualidade”. Não foi, por isso, surpreendente vê-lo a apontar sobretudo para a esquerda a uma mão do grego, uma estratégia que lhe valeu os únicos pontos de break da primeira partida, mas a experiência do número três mundial falou mais alto e os passos à frente dados nas pancadas de resposta durante o tie-break decidiram a primeira partida.

Com a vantagem do seu lado, Tsitsipas foi bem sucedido a anular um ponto de break ao quarto jogo e ainda ameaçou a quebra de serviço que seria praticamente decisiva ao 5-5, mas os papéis inverteram-se e foi Opelka quem conseguiu ser mais feliz no “tira-teimas” do parcial para igualar o encontro e ganhar uma segunda vida. Apesar de tudo, foi o grego quem conseguiu estar mais perto de abrir a primeira ferida no terceiro set, ao conquistar o seu primeiro break point após 2h17 de encontro, mas a resposta de esquerda caiu curta e as longas passadas de Opelka permitiram-lhe chegar à rede e anular a situação com um volley eficaz que se revelou o ponto de viragem do encontro.

No jogo seguinte, o tenista de St. Joseph, no Michigan (mas que reside em Delray Beach, na Flórida), conquistou a tão desejada quebra de serviço e deu o derradeiro passo para assinar a primeira vitória da carreira sobre um jogador do top 5 mundial, à quinta tentativa e dois dias depois de ter salvo um match point no encontro dos oitavos de final com o sul-africano Lloyd Harris.

Com um sorriso proporcional à altura, Reilly Opelka não escondeu a alegria que sentiu ao carimbar o apuramento para a final mais importante da carreira, que surgiu de forma quase tão inesperada como as meias-finais que alcançou há três meses, no ATP Masters 1000 de Roma, onde só foi travado por Rafael Nadal. Resta saber se o derradeiro adversário do norte-americano será o primeiro cabeça de série Daniil Medvedev ou o seu compatriota John Isner, também ele um especialista na arte de fazer do serviço uma arma mortífera.

Total
3
Shares
Total
3
Share