Mouratoglou quer ter ténis competitivo (e de luxo) na academia daqui a um mês e tem um plano

Dia em cheio para o ténis no que diz respeito a ideias para fazer regressar a atividade competitiva enquanto não é possível voltar a competir nos circuitos internacionais: depois da Academia de Rafael Nadal ter anunciado que sugeriu à ATP reunir em Maiorca vários jogadores de elite, Patrick Mouratoglou anunciou que vai voltar a ter ténis competitivo na sua academia no Sul de França já em maio.

Ultimate Tennis Showdown (UTS) é o nome do novo projeto do treinador francês, que depois de uma conversa com o pai de Alexei Popyrin (número 103 do mundo) delineou o formato do evento que deseja arranjar já no dia 16 de maio. Como explicou ao website Tennis Majors, “em França, o estado de emergência vai ser levantado no dia 11 de maio e partir daí os tenistas franceses vão poder circular.”

Para além do jovem australiano, que é uma das estrelas da academia, também o número 10 mundial David Goffin se comprometeu para jogar o torneio. As próximas conversações vão ter lugar a partir de segunda-feira e não só com jogadores mas também estações televisivas — afinal, a possibilidade dos encontros serem transmitidos é um dos grandes aliciantes, quer por razões financeiras quer porque nos dias que correm escassa entretenimento desportivo.

Patrick Mouratoglou quer concentrar 10 jogadores e organizar cerca de 50 jogos em cinco fins de semana. E engane-se quem pensar que esta é uma ideia pensada exclusivamente para o período em que não há circuitos internacionais: “depois destes 50 encontros vamos sentar-nos, perceber aquilo de que as pessoas gostaram e não gostaram e adaptarmo-nos. O Ultimate Tennis Showdown vai-se prolongar pela época toda e pelos próximos anos, mesmo quando os circuitos regressarem. Queremos chegar a novos destinos como os Estados Unidos, a Austrália e a Ásia. Os jogadores vão receber pontos, dinheiro e vai haver um campeão.”

O treinador de Serena Williams e Stefanos Tsitsipas quer que esta iniciativa atraia uma audiência mais jovem para o ténis e uma das bases do novo “produto” é o apelo às emoções dos jogadores. “Durante um encontro de ténis os jogadores passam por imensas emoções, é como um resumo de uma vida. Nos dias de hoje não nos apercebemos do que os jogadores sentem e era isso que eu adorava nos anos 70 e 80: ver o John McEnroe e o Jimmy Connors a discutir e a falarem um com o outro, em contraste total com a calma do Bjorn Borg. Temos de deixar os jogadores serem quem são e queremos aumentar as interações durante os encontros.”

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."