Frederico Marques diz que a chave para o regresso do ténis pode passar por Portugal

A incerteza que a pandemia de Covid-19 trouxe nota-se com particular … no mundo do ténis, um desporto que pelas suas características globais vai enfrentar mais dificuldades que a grande maioria dos restantes quando o regresso deixar de ser apenas uma miragem.

E Frederico Marques, o treinador de João Sousa, acredita que a chave do regresso pode passar por Portugal e pelo que por cá seja feito para combater a pausa forçada nos circuitos internacionais: “Espero estar enganado mas não nos estou a ver a começar a competir tão cedo e se não se puder competir internacionalmente espero que se possa competir a nível nacional, com alguns torneios e que a Federação Portuguesa de Ténis se consiga mexer e aproveitar este momento para ter os melhores jogadores aqui.”

A revelação foi feita na segunda edição das “Tertúlias do Ténis” promovidas pela Felner Tennis Academy nas redes sociais, em que o treinador do melhor jogador português de todos os tempos destacou que esta pode ser uma boa altura para “fazer uma coisa engraçada em que os mais novos também possam estar mais próximos deles. Verem-nos, verem-nos a treinar, aproveitar que estamos todos em Portugal em vez de ser só uma semana do Millennium Estoril Open ou da Taça Davis. Podem-se aproveitar os momentos de crise para fazer coisas boas e engraçadas.”

Quanto ao treino concreto que os dois estão a fazer, e referindo que “tenho uma ideia do que quero fazer mas é complicado” devido às circunstâncias atuais e, sobretudo, à incerteza quanto à data do regresso dos circuitos, Frederico Marques detalhou algum do trabalho que tem planeado para João Sousa durante o período de quarentena.

“O João está a trabalhar desde que chegámos dos Estados Unidos. Tivemos uma semana off para dar alguma descarga ao corpo porque vínhamos de uma fase ascendente depois de uma lesão que esteve connosco durante tantos meses, já estávamos praticamente a competir sem dores e fisicamente muito melhor, preparado para os Masters 1000 e depois toda a época de terra batida. Como estávamos bem fisicamente tivemos de baixar um bocadinho e ter uma semana praticamente sem fazer nada, em casa, para perder massa muscular e depois voltar a subir”, explicou o treinador.

“Neste momento já estamos a subir de maneira progressiva outra vez. O primeiro torneio ATP está marcado para de hoje a 12 semanas, portanto vamos fazer um bloco de quatro semanas com muita parte física. Eu envio-lhe o trabalho todo esquematizado, com desenhos e os tempos de descanso e o João envia-me os vídeos dos treinos para eu poder dar feedback. Estamos a fazer os possíveis para ele continuar a evoluir alguns aspetos que dá para trabalhar e depois deste bloco de quatro semanas vamos fazer um para baixar outra vez e depois cinco semanas para ir outra vez lá para cima. O João tem a sorte de ter um campo em casa e está a trabalhar com o pai e com o irmão, portanto está seguro e a sentir-se bem.”

Na mesma conversa, Frederico Marques também se mostrou confiante em relação ao regresso — e até à superação — de João Sousa ao top 30 do ranking ATP.

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