Nadal reforça estatuto de lenda viva e entrega à Espanha a 6.ª Taça Davis

Kosmos Tennis

No início da semana os espanhóis pediram, este domingo Rafael Nadal cumpriu: o líder do ranking mundial somou a oitava vitória no espaço de seis dias para dar à Espanha o sexto título na Taça Davis — este na primeira edição da nova fase final do torneio, que pela primeira vez em 119 anos de história reuniu várias equipas numa só localização, a Caja Mágica de Madrid.

Protagonista principal de uma semana “de loucos” na capital espanhola, o tenista maiorquino de 33 anos replicou a intensidade dos dias anteriores para derrotar um Denis Shapovalov a muito bom nível por 6-3 e 7-6(7) no encontro que confirmou a vitória da Espanha sobre o Canadá, que esteve pela primeira vez na decisão.

Nos camarotes do Centre Court estiveram os Reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, adeptos apaixonados de ténis.

Foi o 29.º triunfo consecutivo de Rafael Nadal em encontros de singulares na Taça Davis, competição em que não perde desde o duelo de estreia (em fevereiro de 2004).

Mais impressionante do que esse número acabam por ser os que o melhor tenista espanhol de todos os tempos — e cada vez mais candidato a um dos melhores de toda a história — completou: a vitória deste domingo foi a oitava noutros tantos encontros disputados nos últimos sete dias, cinco em singulares e três em pares.

✅ 6-3 e 76(7) vs. Karen Khachanov
✅ 6-4 e 6-3 vs. Borna Gojo
✅ 6-3 e 6-4 vs. Ivan Dodig/Mate Pavic (com Marcel Granollers)
✅ 6-1 e 6-2 vs. Diego Schwartzman Schwartzman
✅ 6-4, 4-6 e 6-3 vs. Maximo Gonzalez/Leonardo Mayer (com Marcel Granollers)
✅ 6-4 e 6-0 vs. Daniel Evans
✅ 7-6(3) e 7-6(8) vs. Murray/Skupski (com Feliciano López)
✅ 6-3 e 7-6(7) vs. Denis Shapovalov

Mas Rafael Nadal só conseguiu dar à Espanha a celebrada vitória porque no primeiro encontro do dia Roberto Bautista Agut fez o que parecia impossível: voltou, três dias depois do falecimento do pai, e apresentou uma compostura impressionante para conquistar o primeiro ponto para os anfitriões.

O triunfo da Espanha estende o domínio recente do país na competição: oito das 10 finais disputadas aconteceram nas últimas duas décadas, o mesmo período em que foram erguidos todos os títulos — o primeiro em 2000 e os seguintes em 2004, 2008, 2009, 2011 e agora 2019.

É a “la sexta” que o jornal MARCA tinha pedido na primeira página de segunda-feira; a que Gerard Piqué sonhou ver erguida pelos seus compatriotas quando conseguiu reformular a competição e garantir a organização da fase final em Madrid.

E, sobretudo, a “la sexta” que mais do que todos os outros tem inscrito o nome de Rafael Nadal, que deixou o final de temporada em risco ao desistir antes das meias-finais do Masters 1000 de Paris e mais uma vez voltou a superar-se quer em Londres (onde protagonizou uma das melhores recuperações do último ano para derrotar Daniil Medvedev e segurou o número 1 no ranking) quer em Madrid, onde numa superfície que não a sua se desenvencilhou de toda a concorrência para adicionar mais um grande título a um currículo já bem recheado.

Mais vitórias na Taça Davis:

32 — Estados Unidos da América
28 — Austrália
10 — Grã-Bretanha
10 — França
7 — Suécia
6 — Espanha
3 — Alemanha
3 — República Checa
2 — Rússia
1 — Itália
1 — Argentina
1 — Suíça
1 — Croácia
1 — Sérvia
1 — África do Sul

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."