Gastão Elias desabafa: “Dos encontros horríveis que tenho feito este foi dos piores”

Fotografia: Margarida Moura/Federação Portuguesa de Ténis

BRAGA Gastão Elias regressou esta terça-feira ao Braga Open e até entrou em competição com o pé direito, mas não conseguiu manter o ascendente e acabou derrotado num encontro que mais tarde classificou como um dos piores da carreira.

Visivelmente desapontado, o tenista português considerou que “correu tudo mais ou menos horrível” frente ao brasileiro Orlando Luz, que assim seguiu para a segunda eliminatória do quadro principal de singulares. “No primeiro set joguei o suficiente. Notava-se bem que ele estava fora de ritmo, não estava a jogar bem, mas depois conseguiu melhorar o nível e eu fui piorando cada vez mais. Simplesmente foi um dia mau.”

Na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro, o atual número 307 do ranking ATP afirmou inclusive que este foi “um dos piores encontros” da carreira. “Não sei como é que hei de explicar… Dos encontros horríveis que tenho feito este foi dos piores.”

Gastão Elias revelou ainda que voltou a sentir-se a menos de 100% no ombro, uma lesão que há exatamente um ano o levou a desistir das meias-finais deste torneio, frente a Pedro Sousa. “Não sei se é das bolas ou os ares deste torneio mas foi a primeira semana em que não me senti a 100% do ombro. Isso afetou claramente o meu serviço, fiz muitas duplas faltas e tive uma média de velocidade de primeiros serviços por volta dos 150km/h.”

O número cinco nacional sabe que está “a fazer as coisas certas” e que por isso o momento menos positivo é “uma questão de confiança. Quando as coisas não estão a correr bem há sempre dúvidas em algumas bolas, há o pensar em duas ou três opções diferentes e deixas de ver claramente o que tens de fazer. Quando não se ganha jogos tende-se a complicar as coisas e o ténis é um desporto bastante simples, é jogar para onde o adversário não está.”

“Hoje batia a bola, achava que era dentro e ela ia sempre fora. Por muito forte que uma pessoa seja de cabeça, chega uma certa altura em que realmente não há paciência que aguente. Acho que nem com a cabeça do Nadal eu aguentava e conseguia ter feito muito melhor neste jogo”, completou o lourinhanense sobre o assunto.

E agora… O incógnito

Com a derrota na eliminatória inaugural, Gastão Elias vai perder os 29 pontos que conquistou há um ano, com a chegada às meias-finais. E se os pontos não o preocupam, as novas regras já são outra conversa. “Com este novo formato não vou poder entrar em nenhum torneio, essa é a minha única preocupação. A partir de agora não vou conseguir entrar em Challengers, os 29 pontos que tinha fazem muita diferença portanto devo cair bastante no ranking e isso não me vai deixar jogar Challengers.”

“O sistema está horrível e não tem sentido nenhum, já o disse e já muita gente o disse, mas isso não muda o facto de ter de ganhar encontros na mesma. Não ganhando encontros não ganho pontos nem neste nem no sistema antigo. Está muito mal feito mas mesmo assim preciso de ganhar os encontros que jogo e em que tenho oportunidades de somar pontos”, finalizou.

O encontro de pares, ao lado de Tiago Cação, ainda está em dúvida, tal como a viagem até à capital do país para disputar o Lisboa Belém Open. Se estiver a 100% irá a jogo.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."