Palmela, Distrito de Setúbal. A autoestrada ficou para trás, a estação de comboios não tanto mas também. Falamos de uma quinta – uma quinta que há cerca de um ano começou a ser recuperada e entretanto se transformou no SPARKS Tennis Park Palmela, onde o ténis é o foco principal mas as restantes horas do dia a dia também são pensadas ao pormenor.

Neste mês de julho, o clube estreia-se na organização de torneios internacionais. E logo com um torneio do circuito feminino com 25.000 dólares em prémios monetários (a Olevra Cup), onde não só estão presentes as melhores jogadoras portuguesas como várias das tenistas que lutam por chegar às posições cimeiras do ranking mundial.

Stefan Schins é o rosto por detrás deste projeto ambicioso, que nasceu da paixão pelo ténis e a vontade de dar uma atenção sem paralelo ao mais ínfimo dos detalhes. É esse um dos aspetos mais elogiados pelas centenas jogadoras de dezenas países ao longo da semana, que começou com todas em prova e este sábado já coroou as primeiras campeãs.

A localização fez com que as primeiras ideias de torneios – sociais e nacionais – caíssem por terra pouco tempo depois de surgirem. Até que uma visita do Presidente da Federação Portuguesa de Ténis, Vasco Costa, mudou tudo. “Ele gostou muito do nosso espaço e sugeriu que fizéssemos um torneio ITF. E assim, depois de algumas conversas e reflexões, decidimos avançar”, contou Stefan Schins ao Raquetc.

Uns minutos de conversa com o responsável pelo espaço e projeto bastam para perceber que como preocupação sempre houve a vontade de organizar um torneio diferente, marcado pela qualidade mesmo do mais ínfimo aspeto. E explicou-nos porquê. “Quisemos fazer algo para as jogadoras, um torneio que diga ‘sabemos que viajam por todo o mundo semana após semana e queremos proporcionar-vos tempo de qualidade e que sintam que vos vamos tratar bem.”

“A este nível, mesmo em torneios de categoria superior, as jogadoras gastam dinheiro para vir jogar o torneio. A maior parte delas não está a ganhar, elas investem o dinheiro delas porque querem vir ganhar pontos. Se perguntarmos, a grande maioria vai dizer que está aqui pelos pontos, não pelo dinheiro. Por isso, se lhes conseguirmos dar uma boa semana, uma boa experiência e tempo de qualidade, elas vão falar entre elas sobre o torneio e pode ser uma forma de continuarmos a evoluir e no próximo ano termos um torneio ainda mais forte que também nos ajude a promover a região de Palmela e Setúbal, que é absolutamente incrível.”

Olevra Cup no SPARKS Tennis Park Palmela

É por isso que ao longo dos 9 dias de Olevra Cup há muito mais a acontecer para além do ténis jogado – à chegada, as jogadoras foram recolhidas por shuttles oficiais desde o aeroporto e receberam um welcome pack personalizado; já no recinto, tiveram direito a experiências muito pouco habituais em provas do circuito ITF, como uma sessão de caricaturas ou um passeio de barco ao pôr do sol pelo sado, saudadas pelos sempre elegantes e encantadores golfinhos (tudo, diga-se, gratuito para as participantes do torneio).

Estes são alguns dos ingredientes com que a equipa do SPARKS Tennis Park Palmela espera criar uma semana inesquecível na memória de todas as visitantes. “No final das 35 semanas em que viajam pelo circuito as jogadoras vão pensar nos melhores locais, nas melhores experiências, relações, comidas, etc e vão passar a palavra entre elas. Desta forma esperamos que a palavra se espalhe e no próximo ano consigamos ter ainda melhores jogadoras a competir.”

É, no fundo, uma perseguição à perfeição (que sabe não ser possível alcançar) que começou há muitos anos. Em Portugal, como representante das cordas e grips Kirschbaum mas também através da ligação Srixon-Dunlop e agora com o SPARKS Tennis Park Palmela. “Somos apaixonados pelo ténis e com os conhecimentos que temos queremos ajudar os jogadores e o ténis. E agora que temos este projeto estamos a tentar fazer as coisas de uma forma diferente. É um pouco arriscado, mas gostamos de dar atenção aos pequenos detalhes. Dou um exemplo: “Se te pedirem um café e deres uma bolacha, o português vai dizer ‘hey, estás parvo? Estás a desperdiçar 7 cêntimos de lucro ao dar aquela bolacha.’ Mas não se tratam dos 7 cêntimos, é a sensação que transportas para as pessoas com esse pequeno gesto.”

E assim é: da cadeira de arbitragem original, que se assemelha a uma bola de ténis e tantas observações originou, aos marcadores práticos e originais, o terraço no andar de cima do bar do clube – com vista para todos os courts, três deles em simultâneo –, a piscina, tudo tem vindo a ser pensado, construído e/ou remodelado de forma a que quem vem pelo ténis fique e se sinta bem quando não está de raquete na mão.

O resultado? Nove dias de torneio em que jogadoras, visitantes e organização se reuniram nos mais variados momentos fora do court, seja para falar de ténis, para ver ténis – a Olevra Cup coincidiu com a segunda semana de Wimbledon, recheada de encontros que fizeram com que o lounge fosse o local mais procurado – ou até futebol, para acompanhar os jogos decisivos do Campeonato do Mundo que se jogou ao mesmo tempo, na Rússia. Um sucesso em todas as frentes, portanto.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."