Kevin Anderson supera John Isner em duelo de bombas e é o primeiro finalista de Wimbledon

Fotografia: AELTC/Jed Leicester

Esperava-se uma maratona e sobretudo um duelo de grandes servidores e assim foi. Kevin Anderson foi quem saiu por cima num embate de gigantes ao derrotar John Isner e está pela segunda vez na carreira na final de um torneio do Grand Slam, tornando-se no primeiro sul africano a consegui-lo em Wimbledon desde Brian Norten em 1921, ainda na era amadora.

O tenista de 2,03 metros natural de Joanesburgo derrotou o mais alto norte-americano de 2,08 por 7-6(6), 6-7(5), 6-7(9), 6-4 e 26-24 em 6h35(!) de jogo, e impediu-o de se tornar no primeiro tenista norte-americano a chegar à final de Wimbledon no que toca ao ténis masculino desde Andy Roddick em 2009, neste mesmo All England Club.

Numa final que tinha como principal curiosidade colocar frente a frente dois tenistas oriundos do circuito universitário norte-americano, foi o mais cotado de ambos, no que toca ao ranking, a sobressair.

Kevin Anderson vinha de conseguir a melhor vitória da carreira ao derrotar Roger Federer nos quartos de final de forma dramática e conseguiu dar seguimento a esse mesmo feito. Sem vencer o tenista de 33 anos desde 2012, sofrendo até esta meia-final cinco derrotas consecutivas, o mais jovem dos jogadores conseguiu finalmente colocar um ponto final nessa série e bateu John Isner pela quarta vez em 12 partidas.

Num encontro em que a pancada de serviço foi a maior arma de ambos os tenistas, o embate começou com dois parciais bastante equilibrados e decididos apenas no tie-break, ambos decididos pela margem mínima. O primeiro parcial caiu para o lado do sul-africano, que se adiantou assim no marcador depois de salvar um set point pelo meio, ao passo que no segundo foi o norte-americano a vencer.

Com o resultado empatado em sets, jogava-se a partir deste momento um encontro à melhor de três sets. No terceiro parcial os serviços continuaram a imperar até que, ao oitavo jogo, Kevin Anderson fez aquilo que nenhum outro jogador conseguira na presente edição de Wimbledon: quebrar o serviço de John Isner. Essa quebra fez com que o tenista de Joanesburgo se colocasse em posição de servir para o set, mas nesse mesmo momento fracassou, sofrendo ele mesmo o contra break.

Tal como nos dois anteriores parciais tudo se resolveu no 13.º jogo e mais uma vez com uma diferença de apenas dois pontos. Se no primeiro parcial John Isner beneficiou de um set point e não o conseguiu aproveitar, desta vez foi Kevin Anderson a não o fazer, depois de ter tido duas oportunidades. O norte-americano foi desta vez mais frio nos momentos de maior importância, o que lhe permitiu passar pela primeira vez para a frente do marcador.

O quarto set trouxe apenas duas novidades: três breaks, dois para o número oito mundial e um para o número 10, e por isso a ausência de um tie-break pela primeira vez. Os fantasmas do segundo set ainda chegaram a assombrar o tenista africano, mas feito o segundo break, não mais tremeu e voltou a restabelecer a igualdade.

Tudo empatado e já com quase quatro horas de batalha cumpridas, chegou o sempre emocionante quinto set (e que set). Desde cedo se percebeu que quem conseguisse um break teria enormes hipóteses de marcar presença na final e assim aconteceu. A quebra decisiva apareceu ao 49.º jogo a favor de Kevin Anderson, que garante assim a presença na segunda final de um Major em menos de um ano, depois de ter sido finalista vencido no US Open do ano passado.

A final de Wimbledon poderá mesmo ser a reedição desse encontro, mas para isso Rafael Nadal terá de ultrapassar Novak Djokovic num encontro que deverá ter início ainda esta sexta-feira, mas que poderá muito bem ser apenas findado no sábado.

Francisco Semedo
A tirar a licenciatura em Turismo na Universidade Europeia, desde cedo se interessou pelo ténis. Começou aos 9 e desde então tem um olhar atento e constante de tudo o que se passa naquela que considera ser a melhor modalidade a todos os níveis.