Marianna Zakarlyuk. Entre a Ucrânia e a Austrália com atrasos… Para Portugal

Marianna Zakarlyuk
O azar bateu à porta (e de que maneira) de Marianna Zakarlyuk, que teve a participação na Olevra Cup em risco.

PALMELA – Há histórias e histórias, dias e dias, viagens e viagens. E a de Marianna Zakarlyuk para Portugal passaria despercebida não fossem todas as peripécias que aconteceram à ucraniana, que divide o seu tempo entre Kiev e a Austrália.

Depois de passagens pelos torneios de Óbidos (segunda ronda) e Amarante (quartos de final), Zakarlyuk regressou a casa para uns dias de descanso em Kiev. Nada de estranho, atendendo à pausa de duas semanas entre os ITFs de Amarante e Palmela e a facilidade com que, nos dias de hoje, jogadores e jogadoras conseguem viajar pelo globo terrestre.

Mas a viagem acabou por se tornar numa verdadeira epopeia, com dúvidas até às horas que antecederam a estreia no quadro principal da Olevra Cup, no SPARKS Tennis Park Palmela. Com o quadro principal a arrancar na segunda-feira, Marianna Zakarlyuk planeava chegar a Lisboa – e depois a Palmela – no domingo de manhã, para ter tempo de se habituar aos courts.

Teria sido fácil, até porque apesar de um ligeiro atraso a partida de Kiev decorreu com relativa normalidade. Mas a escala em Frankfurt, na Alemanha, foi cancelada e a jovem de 21 anos viu-se obrigada a dormir no aeroporto. “Se tivesse acontecido na Ucrânia não havia problema, porque voltava para casa, dormia e fazia a minha rotina novamente. Mas em Frankfurt tive de dormir no aeroporto e depois o voo ainda atrasou mais três horas.”

O relógio não pára e entretanto já era segunda-feira – o dia em que o quadro principal de singulares começava e, por isso, o único que tinha para se preparar para o duelo com Maria João Koehler, que não podia passar de terça-feira. “Por lapso não vi que o quadro principal começava na segunda-feira e com os atrasos cheguei ainda mais tarde do que tinha planeado. Só cheguei ao hotel na segunda-feira à noite e tive a manhã de terça-feira para pisar o court por alguns minutos.”

Maria João Koehler (WC/POR) vs. Marianna Zakarlyuk (UKR), 1R ITF $25.000 Palmela:

Publicado por Raquetc em Terça-feira, 10 de Julho de 2018

Na voz de Marianna, que falou com o Raquetc numa altura em que Roger Federer ainda liderava por dois sets a zero frente a Kevin Anderson (mais tarde, quando soube do resultado final, ficou incrédula…), já depois da derrota para a tenista portuguesa, notava-se a tristeza de quem queria ficar mais tempo em Palmela. “Tenho muita pena, porque gosto muito deste clube e da organização. Têm sido todos muito simpáticos e nota-se que têm muita atenção aos pequenos detalhes, o que faz com que as jogadoras se sintam bem tratadas.”

“Eu sabia que não ia ser fácil mesmo que me preparasse bem, porque ela é uma jogadora muito boa, que esteve muito perto de fazer parte do top 100 e vem de uma vitória. Dei o meu melhor mas simplesmente não deu, terá de ficar para a próxima vez”. E terá mesmo, porque o atraso na chegada a Palmela significou que Marianna Zakarlyuk também não se pôde inscrever na variante de pares (o sign-in fechou no domingo).

Uma ucraniana com sotaque australiano

Uma rápida passagem pelo currículo da número 510 do mundo (foi 416.ª há quatro anos, quando tinha 17) revela uma escolha que não é comum entre a maioria das jogadoras: na parte final da temporada, parte para a Austrália para continuar a disputar torneios internacionais.

A explicação é simples: “O meu treinador [Simon Walsh, que já trabalhou com Sam Stosur] é australiano, o que me dá uma boa oportunidade de treinar lá e jogar alguns torneios a partir de setembro, durante cerca de dois meses. Como aqui [Europa] começa a ficar frio nessa altura e se passa de campos ao ar livre para cobertos, indo para lá não tenho de fazer muitas mudanças.”

Mas nem tudo são vantagens: as cidades de Kiev e Melbourne são separadas por 14.770km, o que faz com que Marianna Zakarlyuk sinta “muitas saudades da minha família e de estar em casa”.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."