Barcelona-Paris: a fabulosa aventura de Trungelliti contada na primeira pessoa

A viagem de Marco Trungelliti rumo ao quadro principal de Roland Garros foi a história de maior destaque dos primeiros dias do torneio parisiense. O jogador argentino foi um dos muitos tenistas a ser repescado da fase de qualificação, sabendo a menos de 24h de entrar em campo, que com a desistência de Nick Kyrgios teria uma vaga reservada entre o lote de 128 tenistas que disputam a grelha principal.

Com pouco tempo e a ‘correr’ contra o relógio, o número 190 mundial pôs-se à estrada para fazer a ligação Barcelona-Paris, com o percurso a ganhar bastante visibilidade nas contas das redes sociais ligadas ao ténis, muito por causa das fotos ‘postadas’ pela namorada do próprio.

“Devo isso à minha mulher, que tornou pública a nossa viagem de carro já que eu não tenho redes sociais”, começou por contar durante a conferência de imprensa de rescaldo à vitória frente a Bernard Tomic.

A aventura rumo a Paris foi mesmo o principal tema de conversa com os jornalistas, ele que minutos antes havia mesmo completado a história com um final feliz ao derrotar o australiano por 6-4, 5-7, 6-4 e 6-4.

“Estava em casa com a minha família. O meu irmão, a minha mãe e a minha avó tinham vindo a semana passada para me ver jogar, mas eu acabei por perder. Alugámos por isso um carro em Barcelona para passearmos por várias cidades em Espanha. Estávamos a preparar-nos para ir para a praia quando o meu treinador me ligou e disse-me para eu ver a lista de Lucky Losers, pois era o próxima nela”, relatou o tenista natural de Santiago del Estero que rapidamente se apressou e se colocou a caminho, que caso tivesse sido possível, teria sido feito pelo ar ou por carris.

Marco Trungelliti com o irmão, a avó e a mãe, no momento em que chegaram a Paris após 9h de viagem.

“A minha avó tinha acabado de sair do duche e eu disse-lhe: ‘vamos para Paris’. Fizemos as malas em uma hora e meia e partimos. Todos os voos estavam cancelados e não havia comboio para França, pelo que fomos de carro. A cada duas horas parávamos para tomar um café e comer. Cheguei à meia-noite ao clube e dormi umas cinco horas. Às 7h30 já estava no clube outra vez”, continuou, referindo que a viagem foi tranquila apesar de toda a expetativa.

“Correu tudo bem, gosto de conduzir. Na Argentina, se não vives em Buenos Aires, fazer 1000 quilómetros não é nada. Não foi um problema para nós, estamos habituados e foi tudo pela autoestrada. Mentalmente estava preparado para o jogo. Fisicamente é que não sabia. Não senti pressão, já tinha perdido na sexta-feira”, afirmou.

A avó de Marco Trungelliti, Lela, que acabaria por se tornar uma das protagonistas da história. Fotografia: Cedric Lecocq / FFT

A avó Lela acabaria por ser uma das estrelas desta aventura, ela que pelos vistos fez a viagem sem saber muito bem para o que ia, isto falando claro está, do que toca ao desporto.

“Ela não sabe o que é o ténis, nem sequer sabe como funciona a pontuação. No final ela disse que não se tinha apercebido que eu tinha ganho até as pessoas começarem a celebrar. Ela é incrível. Daqui a um mês faz 89 anos”, disse visivelmente orgulhoso.

Concluída a primeira etapa no segundo Grand Slam da temporada, o tenista de 28 anos deverá voltar ao court na quarta-feira para defrontar Marco Cecchinato (72.º), contra quem lutará por um resultado inédito na sua carreira: chegar à terceira ronda de um Major.

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