O teu jardim é o meu jardim: Grigor Dimitrov passa por Nick Kyrgios e já está nos quartos de final

Grigor Dimitrov
Número 3 mundial está pela 3.ª vez na carreira nos “quartos” em Melbourne / Fotografia: Ben Solomon/Tennis Australia

Grigor Dimitrov (#3 ATP). É dele a vitória no jogo grande da jornada deste domingo em Melbourne, que por ser de luxo contou com um dos melhores profissionais da arbitragem na cadeira com vista mais privilegiada da Rod Laver Arena: o português Carlos Ramos, a quem no final coube anunciar o resultado de 7-6(3), 7-6(4), 4-6 e 7-6(4) favorável ao búlgaro frente a Nick Kyrgios (#17).

Na quarta edição da rivalidade que se começa a formar e a tornar numa das mais aguardadas para além daquelas que envolvem membros do Big Four, o número 3 mundial apresentou-se quase inquebrável. Apático no melhor dos sentidos e agressivo quando necessário, Dimitrov fez o que ainda não tinha feito este ano para vencer um duelo emocionante — jogou ao seu melhor nível e deu pouco espaço ao adversário.

Se em Brisbane, logo num dos primeiros torneios do ano, o búlgaro se apresentara lento, ainda desgastado de um final de época tardio que o vira erguer o maior título da carreira no Nitto ATP Finals, este domingo tudo foi diferente. E, por isso, também o resultado mudou. Enquanto na costa este foi o jogador da casa quem sorriu por último (chegando mesmo ao título dias depois), no Sul da Austrália a vitória sorriu ao búlgaro.

É que no “jardim” de Nick Kyrgios quem mais “brincou” foi Grigor Dimitrov, o primeiro a tomar a iniciativa e a tremer menos nos primeiros parciais, o que lhe permitiu ganhar uma vantagem. Se é verdade que os dois são, nos dias de hoje, dos melhores tenistas que percorrem o mundo, também o é que há, entre ambos, um fosso (que ganha maior ou menor volume consoante… A cabeça).

Senão vejamos: de um lado, Kyrgios começou por ser traído pelas suas quebras de concentração — que se dividiram entre desabafos para a sua equipa técnica por um alegado desentendimento no que toca à encordoação e à frustração pelo avançar do resultado — e só mais tarde as conseguiu “afinar; já do outro, Dimitrov apresentou-se completamente inquebrável a todas e quaisquer situações paralelas ao jogo jogado e foi sólido como uma rocha durante os primeiros parciais.

Mas porque Kyrgios tem muito ténis, o resultado não foi desnivelado. Muito pelo contrário: o australiano conseguiu manter-se em jogo e o que fez a diferença nos dois primeiros parciais foi a inteligência de Dimitrov nos momentos decisivos, inteligência essa que lhe permitiu, quando necessário, fazer um ou outro mini-break para ganhar no “prolongamento” dos sets. Ah, os tiebreaks. Foi aí que o número 3 do mundo fez a diferença.

Num capítulo onde o australiano costuma ser muito forte (foi assim que ganhou os três sets a Jo-Wilfried Tsonga na ronda anterior), foi o búlgaro quem se revelou inquebrável, anulando assim os esforços que o tenista da casa, empurrado também pelo público, fez para adiar a decisão até ao final de um emocionante quarto parcial onde houve de tudo: gritos, pontos para mais tarde recordar e claro, festejos efusivos. E assim, a verdade é que o número 3 mundial está de volta aos quartos de final do Australian Open.

Em 2017, Grigor Dimitrov derrotou David Goffin. Agora, terá o britânico Kyle Edmund como adversário. E se vencer? Possivelmente o mesmo destino que há uma época, isto é, um encontro com Rafael Nadal nas meias-finais (na última edição o resultado foi favorável ao espanhol, que triunfou por 3-6, 7-5, 6-7[5], 7-6[4] e 4-6).

Quanto a Nick Kyrgios, despede-se do “seu” grande torneio com que o deixará desiludido mas que, analisado pela perspetiva do copo meio cheio, não é, de todo, negativo. Esta foi a segunda vez que o jogador da casa chegou tão longe (em 2015 deu mesmo mais um passo, inscrevendo o nome nos quartos de final) e além disso despede-se do verão australiano com o seu primeiro título em casa — conquistado no já referido torneio de Brisbane.

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