João Sousa: 10 curiosidades em Grand Slams

[texto de opinião originalmente publicado no website da Federação Portuguesa de Ténis]

Simplesmente fantástico o percurso de João Sousa no US Open, onde deu mostras da sua capacidade tenística, garra e atributos técnicos que culminou com mais um registo histórico nos oitavos-de-final, no qual defrontou Novak Djokovic.

Quando se trata de defrontar a elite mundial, o português potencia as suas qualidades, conseguindo quebrar barreiras históricas. Há muito tempo que perseguia a meta de chegar aos oitavos-de-final de um Grand Slam e, aos 29 anos, ei-lo num patamar de eleição.

Por termos um João Sousa histórico, este texto também foi feito com base num contexto histórico.

Aqui ficam então as 10 curiosidades em redor de João Sousa em torneios do Grand Slam:

1 – 20 VITÓRIAS PARA O “CONQUISTADOR”

É verdade. João Sousa já vai na 20ª vitória em ‘majors’ em quadros principais. Neste Open dos Estados Unidos somou 3.

2 – MELHORES TRIUNFOS

O vimaranense regista 6 triunfos de eleição frente a jogadores do top 50 mundial e as melhores vitórias foram obtidas este ano frente ao espanhol Pablo Carreño Busta (12º) e ao francês Lucas Pouille (17º). Outras boas vitórias de João Sousa:

  • 2013 – US Open, bateu Grigor Dimitrov (29º)
                 US Open, bateu Jarkko Nieminen (41º)
  • 2015 – Open da Austrália, bateu Martin Klizan (34º)
  • 2016 – US Open, bateu Feliciano Lopez (18º)

3 – DUELOS COM ‘TOP 10’

Já são mais de uma dezena, depois do último confronto com Novak Djokovic. João Sousa tem registados 11 duelos com jogadores do top 10 mundial.

Vamos então à contabilidade:

  • Open da Austrália (2013): Andy Murray, 3º ATP
  • US Open (2013): Novak Djokovic, 1º
  • Roland Garros (2014): Novak Djokovic, 2º
  • Wimbledon (2014): Stan Wawrinka, 3º
  • Open da Austrália (2015): Andy Murray, 6º
  • Roland Garros (2015): Andy Murray, 3º
  • Wimbledon (2015): Stan Wawrinka, 4º
  • Open da Austrália (2016): Andy Murray, 2º
  • Roland Garros (2017): Novak Djokovic, 2º
  • Open da Austrália (2018): Marin Cilic, 6º
  • US Open (2018): Novak Djokovic, 6º

4 – PRESENÇAS EM QUADROS PRINCIPAIS

Contabilizou em Nova Iorque, a 24ª presença em ‘majors’, sendo aquela em foi mais longe na carreira (oitavos-de-final).

5 – REGISTO EM QUALIFICAÇÕES

João Sousa tinha 21 anos quando fez a sua estreia na fase de qualificação do seu primeiro Grand Slam. Foi no Open da Austrália, em 2011, quando perdeu para o francês Josselin Ouanna. O português era então o nº 243º mundial.

6 – EMANCIPAÇÃO

Durante 3 anos (entre 2011 e 2013), o vimaranense participou em fases de qualificação, sendo que em 2013 isso aconteceu por uma única vez em Wimbledon. A partir daí e com 24 anos entrou sempre nos quadros principais.

7 – ESTREIA COMO TOP 100

A estreia de João Sousa como membro do top 100 mundial deu-se no US Open em 2013. Entrou como 95º mundial e para surpresa de muitos chegou à 3ª ronda com duas excelentes vitórias frente a Grigor Dimitrov (29º) e Jarkko Nieminen (41º), perdendo a seguir para o nº 1 mundial, Novak Djokovic.

8 – JOGO MAIS LONGO

O encontro mais longo de João Sousa em ‘majors’ aconteceu frente ao francês Lucas Pouille no US Open de 2018. Durou 3 horas e 38 minutos, superando em 6 minutos o registo de uma outra maratona no US Open em 2014, quando bateu o canadiano Frank Dancevic (135º mundial) na 1ª ronda, ao fim de 3 horas e 32 minutos.

9 – MELHOR RANKING

João Sousa entrou em Roland Garros em 2016 com o seu melhor ranking de sempre em ‘majors’ ao figurar na 29ª posição, pouco dias depois de ter obtido a sua melhor classificação de sempre ATP com um 28º lugar, a 16 de maio de 2016.

10 – EQUIPA TÉCNICA

Ao longo dos últimos 8 anos em que tem pisado os grandes palcos mundiais, João Sousa nunca prescindiu de ter a seu lado o técnico português Frederico Marques. Não é muito comum um jogador ter a seu lado um treinador durante tantos anos consecutivos.

Muitos parabéns a ambos por tudo o que têm feito pelo ténis português.

Norberto Santos
Ex-redator principal do Record e historiador do ténis português.