Da interrupção à reviravolta: Tiago Cação e Francisco Cabral falam sobre as últimas 24h

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PORTO – Era o encontro grande da jornada de quarta-feira e, de certa forma, passou a encontro grande desta quinta-feira. Francisco Cabral e Tiago Cação recolheram aos balneários com assuntos por decidir e dele voltaram com muitas expetativas.

No final, acabou por ser o mais cotado dos dois a sair por cima, anulando de forma categórica uma desvantagem que o deixou no limite aquando do reatamento do encontro. O Raquetc está no terreno e falou com os dois jogadores portugueses, procurando saber, em particular, o que esteve por trás da decisão de ontem e como lidaram com ela.

Francisco Cabral, que liderava por 6-4 e 3-1 quando o encontro foi interrompido — em grande parte por sua vontade — explicou que se sentia “capaz de ganhar e que estava a ser superior mas tenho sempre dificuldades em ver bem com luzes, durante a noite parece que tenho um delay de uns segundos quando a bola sai [da raquete do adversário] e estava a começar a ver muito mal. Se calhar foi um erro querer parar e se jogasse mais um par de jogos podia ter sido diferente, mas os ‘ses’ pouco interessam.”

Apesar de tudo, o tenista portuense — que em 2017 até tinha ganho o primeiro encontro entre ambas — não considera ter jogado mal no reatar desta quinta-feira. “Sinto que foi muito mérito dele. Entrou a jogar mais agressivo e hoje as condições estavam melhores para ele do que para mim. Gostamos os dois de atacar mais do que defender e ele conseguiu-o fazer em mais ocasiões, agarrou mais nos pontos.”

Não há como discordar. A paragem foi benéfica para Tiago Cação e o próprio reconhece-o. “Ajudou-me. Ontem estavam condições que eram menos favoráveis ao meu jogo, com o ambiente e as bolas pesadas, que o ajudaram a ele. No primeiro set também tive as minhas oportunidades, estive break acima, 4-4 15-40 no serviço dele, mas não consegui aproveitar e hoje foquei-me em dar tudo e entrar o mais forte possível no encontro.”

Se era fácil? Não, “porque entrar com uma pressão destas ou era, ou não era, mas tinha de entrar com tudo porque não havia margem para erros neste ‘início de jogo’, que no fundo era já o meio do segundo set. Foi fundamental focar-me em mim e só em mim e em conseguir utilizar da melhor forma possível as armas que tenho.”

Tempo para descansar não existe, porque Tiago Cação volta ao court às 15h30 para disputar a segunda ronda de singulares e logo depois os quartos de final de pares, mas para o número 595 do ranking não é um problema. “Estou pronto para tudo”, finalizou, com um sorriso.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."