No Central ou fora dele, Djokovic ganha seja onde for

18 Novak Djokovic
Fotografia: AELTC/Tim Clayton

De: djokernole@tennis.com
Para: wimbledon@aeltc.com
Assunto: Pedido para jogar no Centre Court

Caríssimos,

Venho por este meio solicitar que o meu embate com Kei Nishikori, na terça-feira, decorra no Centre Court, porque também tenho o direito de lá jogar. Recordo que ainda só o fiz uma vez nesta edição, enquanto os meus dois grandes rivais, Roger Federer e Rafael Nadal, já lá jogaram por quatro vezes.

Atenciosamente, 
Novak Djokovic

Terá sido mais ou menos assim (ou talvez não, mas também é irrelevante para o caso) que Novak Djokovic solicitou à organização do torneio de Wimbledon que o seu duelo com o japonês Kei Nishikori, alusivo aos quartos de final do Major londrino, fosse escalado para o Centre Court do All England Club. Porque o sérvio, três vezes campeão do torneio, ainda só tinha lá jogado uma vez (frente a Kyle Edmund, claro, na terceira ronda), e portanto considerava-se de certa forma injustiçado, relativamente aos seus arquirrivais.

Feito o pedido e consumado o desejo do antigo número 1 mundial de jogar no palco mais emblemático do mundo, o desfecho foi o mesmo. Ou seja, Djokovic (21.º), seja onde for, só tem sabido ganhar nesta 132.ª edição de Wimbledon, sendo que esta terça-feira foi o japonês Kei Nishikori (28.º) a sentir na pele a “fúria” do sérvio.

Não fosse uma ligeira quebra de intensidade e um arrufo com o árbitro Carlos Ramos –devido a um warning por ter atirado a raquete ao chão no seguimento de três pontos de break desperdiçados no terceiro jogo do segundo set — e Djokovic até podia ter passado menos tempo em court, o que seguramente desejaria.

Mas no final de contas, ao cabo de 2h34, o mais importante estava feito: vitória por 6-3, 3-6, 6-2 e 6-2, consequente apuramento para as meias-finais da prova pela oitava vez em 14 participações e a garantia que na próxima atualização de rankings subirá, pelo menos, ao 13.º posto.

Destaca-se deste 16.º encontro entre Djokovic e Nishikori (14-2 para o sérvio) a elevada percentagem de pontos ganhos com o primeiro serviço por parte do antigo líder do ranking (85%) e a acutilância nas incursões à rede, com 18 de 20 pontos ganhos.

E agora, seja qual for o próximo adversário, haverá uma meia-final digna de uma final. É que Djokovic vai medir forças na sexta-feira com o vencedor do duelo entre Rafael Nadal e Juan Martín del Potro.

No outro duelo dos quartos de final que começou à mesma hora deste, Roger Federer, a jogar no Court No.1 pela primeira vez desde 2015, liderava por dois sets a um frente ao sul-africano Kevin Anderson, estando em busca da sua 13.ª presença nas meias-finais do torneio. O cartão de cidadão diz que tem 36 (quase 37) anos.

João Correia
Licenciado em Sociologia e Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (ISCTE). Privilegiado por viver numa das melhores eras da história da modalidade. Contacto: joaocorreia@raquetc.com