Halle: Federer voltou a sofrer e teve de salvar match points para continuar em prova

Roger Federer
Tenista suíço não perdia um set em Halle há dois anos | Fotografia: Gerry Weber Open/Ket

Tinha sentido dificuldades em dois dos encontros que disputou em Estugarda, onde no passado fim de semana conquistou o título pela primeira vez, e agora, uma semana depois, voltou a tê-las em Halle: Roger Federer, o recordista de títulos e número 1 mundial, entrou bem mas acabou a sentir muitas dificuldades para derrotar o sempre imprevisível Benoit Paire.

Forçado a revalidar o título em Halle para se manter como número 1 mundial à chegada a Wimbledon, o torneio que é visto como a sua principal prioridade na temporada, o tenista suíço tremeu neste segundo encontro. E tremeu por culpa própria: porque depois de um primeiro set bastante tranquilo, em que não enfrentou um único break point, teve, logo no início do segundo, duas oportunidades para ganhar desde logo uma vantagem preciosa; mas não só a conseguiu agarrar como no jogo seguinte perdeu o seu serviço.

Com essa quebra, Benoit Paire, o sempre imprevisível “artista” francês que dentro de um court de ténis é capaz do melhor e do pior no espaço de curtos segundos, ganhou uma força até aí ainda não vista. O break foi, de certa forma, um “despertar” para o tenista francês, número 48 do mundo, que a partir do segundo jogo do segundo set passou a acreditar e criou variadíssimas dificuldades a Federer, que esteve longe de conseguir produzir o seu melhor ténis.

O número 1 mundial, que esta semana celebra a 310.ª semana no topo do ranking — apesar de, por lapso, ter sido recebido em Halle com um bolo que assinalava 311 semanas –, precisou, por isso, de lutar e muito para conseguir ficar com a vitória. É que depois de dispor de dois match points no serviço do gaulês, Federer tremeu e só no tiebreak, já depois de ele próprio ter salvo dois pontos de encontro, é que conseguiu carimbar a vitória, com os parciais de 6-3, 3-6 e 7-6(7), rumo aos quartos de final.

Perdido o seu primeiro set no Gerry Weber Open desde as meias-finais do ano de 2016, Roger Federer olha, agora, para o duelo com Matthew Ebden, o australiano que surpreendeu o ex-campeão Philipp Kohlschreiber, por 4-6, 6-1 e 6-2, e continua a demonstrar porque é que conseguiu entrar no quadro à última hora, como “special exempt” — vaga reservada a tenistas que na semana anterior consigam meias-finais ou melhor num torneio (no caso, o ATP 250 de ‘s-Hertogenbosch, na Holanda).

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."