Kuznetsova: “Claro que penso no meu futuro. Só jogarei mais 2 ou 3 anos”

Svetlana---Kuznetsova

Svetlana Kuznetsova, que se encontra a disputar esta semana o WTA de Lugano (Suíça), vai celebrar o seu 33.º aniversário no dia 27 de junho e, sem rodeios, admite que o fim da carreira não é algo que lhe tire o sono. É a lei da vida e a veterana tenista russa, que já foi número 2 do mundo, estará pronta quando chegar esse momento.

“Claro que penso no meu futuro. Tenho 32 anos e jogarei mais dois ou três anos, pelo que, mais tarde, precisarei de encontrar novos objetivos e estabelecer novas prioridades na minha vida. Não hesitaria nem por um segundo em trocar os troféus que já conquistei por uma vida familiar feliz”, disse Kuznetsova, em entrevista ao canal de televisão russo RT.

Só há sensivelmente um mês, em Indian Wells, é que Kuznetsova iniciou a sua época desportiva, depois de uma ausência motivada por uma operação ao pulso esquerdo. O pior já passou, mas o processo de recuperação tem sido mais lento do que esperava.

“Sinto que a recuperação parece interminável. A situação está um pouco melhor, mas ainda sinto dores no pulso depois de uma sessão de treino mais puxada. Disputei apenas alguns jogos depois da lesão e agora estou a tentar preparar-me da melhor maneira para Roland Garros“, observou a antiga campeã do Grand Slam parisiense.

Embed from Getty Images

Kuznetsova, que ao longo dos anos tem sido atreita a lesões, pronunciou-se sobre a dureza do circuito, sublinhando que é “muito difícil” um tenista proceder à calendarização dos torneios que pretende disputar.

“A programação de torneios é muito difícil e parece que ninguém tem intenção de amenizá-la. Não é uma tarefa fácil decidir que torneios disputar, porque somos obrigados a confirmar antecipadamente a nossa participação. Devido a um calendário muito preenchido, sentimo-nos exaustos e as lesões podem surgir a qualquer momento”, afirmou.

Profissional de ténis há mais de uma década, Svetlana Kuznetsova salientou que os tenistas são “pressionados a jogar independentemente da sua condição” e que desistir dos torneios é sempre algo que deve ser extremamente bem ponderado.

“Jogando apenas em alguns eventos, não é possível adquirir ritmo de jogo e a eliminação acontecerá nas primeiras rondas. Há 16 anos que eu jogo de janeiro a novembro, e isso é tremendamente difícil. Além disso, quando regressei ao circuito depois da lesão no joelho [2013], não recebi qualquer wild card“, vincou.

João Correia
Licenciado em Sociologia e Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (ISCTE). Privilegiado por viver numa das melhores eras da história da modalidade. Contacto: joaocorreia@raquetc.com