Final feminina do Australian Open: a hora de Simona Halep é a hora de Caroline Wozniacki (e vice-versa)

Simona Halep e Caroline Wozniacki
"The winner takes all": quem vencer, sai de Melbourne como campeã de um torneio do Grand Slam e número 1 do mundo

Quando entrarem na Rod Laver Arena este sábado, Simona Halep e Caroline Wozniacki terão muito em comum. E é isso que faz da final feminina do Australian Open uma das mais aguardadas dos últimos tempos – e também uma que mais história promete fazer.

Sete. Foi este o número de vezes em que ou uma, ou outra se encontraram a apenas um ponto de dizer adeus ao Australian Open. No que à romena diz respeito, foram cinco os match points salvos (três no encontro da terceira ronda, frente a Lauren Davis, e dois nas meias-finais, perante Angelique Kerber), enquanto a dinamarquesa anulou duas bolas de jogo frente a Jana Fett na segunda eliminatória.

O que faz desta a primeira final de sempre na Era Open a contar com duas finalistas que tiveram de salvar match points numa ou mais das rondas anteriores. E não fosse medirem forças uma com a outra, seria um bom indicativo para a glória em Melbourne.

Em 2014, Li Na salvou um match point na segunda ronda e acabou de título nas mãos. Um ano depois, Maria Sharapova também anulou dois na segunda ronda e chegou à final e, já em 2016, Angelique Kerber recuperou de um match point no encontro de estreia para sair do torneio com o troféu de campeã.

Mas a hora de Simona Halep é, também, a hora de Caroline Wozniacki. As duas chegam à final com o mesmo em jogo – e o mesmo é dizer muito. Porque quer uma, quer outra têm duas finais de torneios do Grand Slam convertidas em vice-campeonatos. Mais ainda: ambas carregam nos ombros o peso do estatuto de número 1 mundial não-detentora de um título nos grandes torneios – “Slamless No. 1”, como tanto são apelidadas pelas redes sociais fora.

Este sábado, tudo muda. Pelo menos para uma delas, porque os troféus não se dividem em duas partes e as finais são ganhas por uma só jogadora, mas tudo muda. Uma delas passará a ser número 1 mundial e campeã de um torneio do Grand Slam, porque esse é outro dos grandes aperitivos da final: quem ganhar sairá da Rod Laver Arena com o troféu e o estatuto de número 1 mundial. Como se escreve nesta altura por Melbourne, “the winner takes all”.

Se for Simona Halep, trata-se de defender a posição que já ocupa, é certo. Mas se for Caroline Wozniacki, o duelo marcará o regresso da dinamarquesa de 27 anos ao topo do ranking pela primeira vez desde janeiro de 2012, há exatamente seis anos.

E se as duas são, de longe, as melhores jogadoras em atividade a ainda não terem conquistado um torneio do Grand Slam, a que perder a final poderá mesmo ser classificada como a melhor de sempre – ou, no limite, uma das melhores de sempre – a não o ter conseguido fazer.

As finais de Simona Halep em torneios do Grand Slam:

  • Roland Garros 2014: 4-6, 7-6(5) e 4-6 vs. Maria Sharapova
  • Roland Garros 2017: 6-4, 4-6 e 3-6 vs. Jelena Ostapenko

As finais de Caroline Wozniacki em torneios do Grand Slam:

  • US Open 2009: 5-7 e 3-6 vs. Kim Clijsters
  • US Open 2014: 3-6 e 3-6 vs. Serena Williams

O que nos dizem os números

Caroline Wozniacki e Simona Halep
O frente a frente é favorável à dinamarquesa, que venceu o último encontro

Uma análise (muito) preliminar coloca Caroline Wozniacki em vantagem. O head to head é favorável à dinamarquesa, que dos seis encontros disputados venceu quatro – e os últimos três, entre os quais no WTA Finals, por 6-0 e 6-2, a caminho da conquista mais importante da carreira.

Mas em piso rápido o frente a frente regista um empate: Wozniacki venceu no Dubai, em 2012, mas Halep triunfou em New Haven (2013) e no Dubai (2015) antes da dinamarquesa voltar a vencer, no já referido encontro em Singapura.

No fundo, é uma daquelas finais em que é muito difícil apontar uma vencedora. Porque Simona Halep e Caroline Wozniacki são das jogadoras que mais correm e devolvem bolas, forçando a adversária a uma bola extra na grande maioria das ocasiões.

A existir uma “verdadeira” e muito ligeira vantagem, então será o tempo passado em campo: nas meias-finais, Caroline Wozniacki só precisou de dois sets para derrotar Elise Mertens, enquanto Simona Halep derrotou Angelique Kerber no “prolongamento” do parcial decisivo e ambas as jogadoras deram claros sinais de desgaste físico desde cedo no encontro. Mas entretanto a romena teve um dia inteiro para descansar.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."