Um passo de gigante

Com uma semana, Nuno Borges resolveu de vez três assuntos: conquistou o primeiro título de singulares da carreira no circuito Challenger, garantiu a simbolicamente importante estreia no top 250 ATP e assegurou a participação no qualifying do Australian Open, que será o primeiro torneio do Grand Slam da carreira para o maiato enquanto tenista profissional.

E o timing dificilmente poderia ser melhor: tudo isto foi feito em vésperas de viajar para Portugal tendo em vista a participação nos dois Challengers que acontecem no Complexo Municipal de Ténis da Maia entre 5 e 19 de dezembro e no qual é, literalmente, o cabeça de cartaz.

Ou seja, será em casa que o novo número quatro nacional celebrará — ainda que de forma célere — os objetivos alcançados no domingo.

O passo de gigante dado em Antália fez de Nuno Borges o 15.º tenista português a inscrever o nome no top 250 do ranking ATP (surge no 228.º lugar da atualização desta segunda-feira). E só uma intempérie o impedirá de se tornar no 13.º homem português a ir a jogo num torneio do Grand Slam já no próximo Australian Open, em janeiro.

Apesar de nos últimos tempos ter jogado para segundo plano a estreia em torneios do Grand Slam (“se não for no próximo será no seguinte”, repetiu em conferências de imprensa recentes), o objetivo para o início de 2022 era claro — e a janela de oportunidade curta.

Porque se em abril, quando se sagrou vice-campeão do segundo Challenger de Oeiras, no Jamor, Wimbledon ou sobretudo o US Open pareciam encaminhados, uma entorse no tornozelo esquerdo obrigou-o a “recolher às boxes” e complicou-lhe as contas para os meses seguintes.

Só em setembro é que os resultados reapareceram, mas mesmo com quartos de final em três de seis torneios (primeiro em Kiev, depois de forma consecutiva em Barcelona e Alicante) a viagem até Melbourne em janeiro não era certa. E o regresso a Portugal para defender (com sucesso) os títulos de campeão nacional absoluto de singulares e pares aumentou o grau de dificuldade da tarefa, porque o fez abdicar de duas semanas de competição no circuito internacional.

Com cerca de 25 posições por ganhar e apenas três oportunidades de competição pela frente (Manama, Antália e o primeiro de dois Maia Open) antes do cut-off para o qualifying do Australian Open, Nuno Borges precisava de um passo de gigante. E depois de alcançar mais uns quartos de final em Manama, no Barém, deu-o em Antália, onde de forma autoritária venceu os cinco encontros que disputou sem perder qualquer set para se estrear na galeria de campeões do circuito secundário.

Assim, na Maia, cidade que o viu crescer e na qual aprendeu a jogar ténis, Nuno Borges poderá focar-se única e exclusivamente nos últimos dois torneios da época — não com relaxamento, mas pelo menos a garantia de já ter alcançado os dois grandes objetivos a que se propôs.


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