Nuno Borges e Francisco Cabral, uma parceria construída desde a infância

Sara Falcão/FPT

OEIRASNuno Borges e Francisco Cabral não se lembram da primeira vez que estiveram juntos num court, mas sabem que foi há muito tempo. A amizade é de longa data e ao longo dos anos dividiu-se em vários encontros frente a frente, mas também do mesmo lado — tal como este domingo, quando se sagraram campeões de pares do segundo Oeiras Open, torneio do ATP Challenger Tour organizado pela Federação Portuguesa de Ténis.

“Praticamente crescemos juntos. Jogamos os mesmos torneios desde pequenos e jogámos muitas vezes um contra o outro, diria mais de 30, e muitas vezes um com o outro. Aos 18 anos seguimos caminhos diferentes, mas sempre que tínhamos oportunidade juntávamo-nos no verão e as coisas iam correndo bem. Hoje colhemos os frutos do trabalho e dos jogos que temos feito lado a lado”, disse, entre sorrisos, Francisco Cabral na conferência de imprensa que se seguiu à vitória sobre Pavel Kotov e Chun-hsin Tseng, por 6-1 e 6-2.

A química entre os dois tenistas portugueses não engana e os resultados estão à vista: o título conquistado este domingo, no Oeiras Open, foi o sétimo da parceria em torneios do circuito internacional, os primeiros foram conquistados em Lisboa e Setúbal, no ano de 2017, e depois seguiram-se vitórias na Póvoa de Varzim e Castelo Branco, em 2018, em Idanha-a-Nova, em 2019, e novamente em Setúbal, em 2020.

“Sempre que temos oportunidade aproveitamos para competir lado a lado e tem corrido muito bem”, concordou Nuno Borges, que se dividiu entre os elogios à parceria e os vários objetivos que tem definidos: “Também temos muito para desenvolver nos singulares. Os pares são um ‘bónus’, mas é algo em que procuro melhorar. Quero ser top 100 de singulares, mas não diria que não a ser também top 100 de pares, principalmente com o Francisco (risos).”

O discurso surgiu em linha com o do parceiro, que apesar de até à data ter conhecido melhores resultados na variante de pares (que para além dos títulos com Nuno Borges tem outros cinco no currículo) não quer descartar os singulares: “Ainda não disse a mim mesmo ‘vou ser jogador de pares’ porque acredito que ainda tenho uma palavra a dizer nos singulares. Se sentisse que já estava no máximo do meu potencial se calhar já tinha optado pelos pares, mas vou continuar a jogar singulares. Agora, sempre que sentir que há uma oportunidade de jogar pares em Challengers não direi que não, porque é outra vida. Não tem nada a ver com estar num ITF.”

Sobre a final houve pouco a dizer, sobretudo porque a prestação de Nuno Borges e Francisco Cabral foi demasiado autoritária para o russo e o taiwanês, mas já com títulos no Campeonato Nacional Absoluto, em ITFs e, agora, num Challenger, a dupla portuguesa despediu-se do Jamor com um piscar de olhos a um convite para o Millennium Estoril Open.

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