☕️ da manhã: madrugada de surpresas e muita emoção com o público a fazer-se ouvir

Depois de uma jornada morna em emoções vindas das bancadas, um encontro bastou para relembrar a todos a falta que um estádio cheio fazia ao ténis e ao desporto. Esta terça-feira jogou-se e ganhou-se com o coração — e foram várias as surpresas.

“Café da manhã” é o nosso resumo de tudo o que acontece durante a madrugada em Melbourne. Para os que se esqueceram de tomar café, para os que o beberam mas não ficaram noite dentro e até para os que assistiram a tudo.

A grande figura da madrugada foi Alexei Popyrin. Convidado pela organização para o quadro principal, o número 113 do mundo (que já passou pelo Millennium Estoril Open) espremeu ao máximo o fantástico ambiente do Court 3 — com capacidade para cerca de 3.000 pessoas — e aproveitou o embalo dos compatriotas para resistir a uma das melhores batalhas dos dois primeiros dias: “Pop” salvou não um, não dois, não três, mas quatro match points para derrotar o 13.º cabeça de série, David Goffin, por 3-6, 6-4, 6-7(4), 7-6(6) e 6-3.

Foram precisas 3h43 para o jovem de Sydney seguir em frente e o encontro valeu cada minuto.

Assim como vale a pena ver e ouvir o último ponto:

Um pouco mais tarde, o público da casa voltou a ter razões para celebrar. Se na ATP Cup não conseguiu prolongar a boa série de resultados que o fez ganhar em Antália, na primeira semana do ano, o quarto título da carreira, Alex de Minaur fez questão de entrar no Australian Open com os dois pés e afastou o por duas vezes quartofinalista Tennys Sandgren com 7-5, 6-1 e 6-1 para confirmar o estatuto de 21.º cabeça de série.

Num dia que começou com um hino à juventude (Carlos Alcaraz somou a primeira vitória em torneios do Grand Slam e a ele seguiu-se Coco Gauff, que regressou a Melbourne com mais um bom triunfo, por 6-3 e 6-2 sobre Jill Teichmann), foram mesmo as surpresas que mais deram que falar.

Na 1573 Arena, o quarto maior recinto de Melbourne Park, o moldavo Radu Albot não olhou a favoritismos e deu a volta a Roberto Bautista Agut para vencer o espanhol, 12.º cabeça de série, por 6-7(1), 6-0, 6-4 e 7-6(5).

Livres de surpresas ficaram Rafael Nadal, que deixou os problemas físicos para trás e venceu em três sets, Daniil Medvedev — que somou a 15.ª vitória consecutiva ao bater Vasek Pospisil por 6-2, 6-2 e 6-4 — e Andrey Rublev, que também saiu “em alta” da ATP Cup e superou Yannick Hanfmann por 6-3, 6-3 e 6-4.

No quadro feminino, a jornada começou com vitórias da vice-campeã, Garbiñe Muguruza, e da campeã, Sofia Kenin, mas nem todas as protagonistas ficaram longe de perigo: vencedora das edições de 2012 e 2013 e finalista do último US Open, Victoria Azarenka acusou os efeitos dos 15 dias fechada no quarto e perdeu por 7-5 e 6-4 para a norte-americana Jessica Pegula, número 61 do ranking.

“É claro que a quarentena de duas semanas teve impacto na minha prestação. Quem vier da quarentena e perder cedo vai dizer que não teve a melhor preparação, enquanto os que se conseguirem ajustar vão dizer que não teve assim tanto impacto. Mas não quero arranjar desculpas, estou sobretudo desapontada porque não consegui jogar como sei que consigo”, desabafou a ex-número um do mundo em conferência de imprensa.

“O maior impacto que teve foi não poder apanhar ar durante 15 dias. Isso custou-me muito e precisei de fazer um grande esforço para me habituar”, acrescentou a bielorrussa, que jogou o Australian Open apenas pela segunda vez desde 2016.

E já o sol nascia (em Portugal, claro está) quando Karolina Pliskova somou a vitória mais rápida do torneio até ao momento: 47 minutos foram suficientes para a checa, sexta cabeça de série, começar o ataque ao primeiro título em Grand Slams com uma vitória por 6-0 e 6-2 contra a italiana Jasmine Paolini (95.ª).

A fechar a sessão diurna, um resultado para a história: num encontro entre duas qualifiers, Mayar Sherif tornou-se na primeira mulher egípcia a vencer um encontro no quadro principal de um torneio do Grand Slam ao vencer a francesa Chloe Paquet, por 7-5 e 7-5.

No final, a alegria contagiante prolongou-se até que já não restassem pedidos de selfies no Court 6, onde fica eternizado o feito.

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