Frederico Marques e o regresso de João Sousa: “Foi uma boa semana de preparação e dois dias maus de competição”

Frederico Marques e João Sousa na Beloura Tennis Academy
Jorge Cunha/AIFA

Depois de mais de um ano conturbado por lesões que o fizeram viver, em 2020, a pior e mais difícil época da carreira, João Sousa regressou esta semana à competição livre de problemas físicos, mas o resultado ainda não foi o desejado e o número um português perdeu na primeira ronda de um torneio Challenger, circuito em que já não participava desde julho de 2013.

Para o treinador, Frederico Marques, o lado positivo da semana em Antália, na Turquia, foi o regresso aos courts. “Em termos gerais foi bom voltar à competição, voltar a sentir a sensação de preparar um jogo, de ganhar pontos, de motivar o João, falar taticamente com ele e estar no ambiente do torneio. É para isso que trabalhamos todos os dias, para competir e lutar por vitórias seja a que nível for”, contou ao Raquetc.

Mas os resultados — derrota na primeira ronda de singulares, na terça-feira, e na de pares, já esta quarta-feira — não deixaram a dupla portuguesa satisfeita. “Não foi um bom dia, claro está, nem uma boa semana em termos de resultados“, admitiu o treinador de 34 anos.

“Custou-nos muito entrar no encontro de singulares, mas no de pares já houve um par de passos à frente nesse aspeto. Notou-se o ritmo que o João ganhou no encontro de singulares”, explicou Frederico Marques, que falou de “alguma ansiedade” no duelo de singulares em que “a velocidade da bola foi mais rápida do que a mente e os pés” do seu pupilo.

“Essa ansiedade traz lentidão e quando isso se existe não se encontra a melhor posição para estar enquadrado e controlar o ponto e em consequência o nível não é tão alto. Fomos dominados durante uma grande parte do encontro e a bola do adversário penetrou sempre mais do que a nossa. O João esteve em zonas do campo que não são habituais nele”, acrescentou o técnico natural de Almada, que também viu alguns aspetos positivos.

“No final do encontro, com a derrota já à vista na mente do João, esse facto possibilitou-lhe baixar os níveis de ansiedade e enquadrar-se melhor e começar finalmente a dominar os pontos. Na parte final tivemos um João a depender apenas dele e do ténis dele para vencer o encontro. Tivemos cinco pontos para fazer o 5-5, mas já existia pouca margem de manobra”.

Reconhecendo que “foi uma boa semana de preparação e dois dias maus de competição”, Frederico Marques disse que “houve sucesso, porque aprendemos. O que distingue o sucesso do insucesso é a aprendizagem e esta semana aprendemos e evoluímos, mas não ganhámos encontros.”

Falta, por isso, “ritmo e mais trabalho”, pelo que já na quinta-feira a dupla portuguesa regressará à base, em Barcelona, para “trabalhar mais e melhor” tendo em vista três torneios na América do Sul (Córdoba, Buenos Aires e Santiago do Chile) antes do Masters 1000 de Miami, o único torneio em piso rápido que jogará antes da época de terra batida na Europa.

“O João está bem fisicamente, sem lesões, motivado e numa linha mental”, garantiu no final da conversa.

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