Frederico Silva finalmente livre em Melbourne: “Senti falta do sol e da brisa no ar”

Duas semanas depois do previsto, Frederico Silva treinou este domingo pela primeira vez em Melbourne. Apanhado por um isolamento forçado após ter viajado num avião onde foi detetado um caso positivo à covid-19, o jogador português de 25 anos ficou impedido de sair do quarto de hotel durante 15 dias e teve de atrasar toda a preparação no court, estando agora numa corrida contra o tempo: na terça-feira estreia-se num ATP 250 e uma semana depois chega o Australian Open, onde vai jogar pela primeira vez o quadro principal de um Grand Slam.

“Foram dias complicados, porque queríamos preparar-nos e víamos outros jogadores a fazê-lo e nós não tínhamos essa possibilidade. Mas finalmente pudemos sair e soube muito bem voltar ao campo, treinar um pouco para voltar a ter sensações e regressar a um clube especial como Melbourne Park”, contou ao Raquetc na madrugada deste domingo.

“Saí do quarto às 23h de sábado [10h da manhã em Portugal Continental], por isso não tive a possibilidade de treinar, mas se tivesse saído mais cedo tinha falado com um jogador para irmos ao clube. Assim fomos diretamente para o nosso novo hotel e só treinei hoje de manhã. Uma das coisas de que senti mais falta foi andar ao ar livre e apanhar sol. Quando chegámos ao novo hotel já era um pouco tarde, mas ainda fomos dar uma pequena volta pela cidade porque já estávamos fartos de estar fechados no mesmo sítio. Soube bem sentir a brisa no ar”, acrescentou o caldense, que viajou para Melbourne na companhia de Pedro Felner — o treinador que ao longo das últimas semanas tem feito relatos exclusivos no Raquetc.

Apesar de ter ficado totalmente isolado no quarto de hotel durante duas semanas, Frederico Silva não parou de trabalhar. Desde os treinos físicos por vídeo-chamada a algum trabalho com bola e raquete, o número 182 mundial (subirá alguns lugares quando forem adicionados os pontos que ganhou no qualifying) reconheceu que esses treinos “ajudaram muito a que o meu corpo não começasse do zero quando voltei ao campo. Trabalhei bem fisicamente e até consegui evoluir nalguns aspetos.”

Mas a privação de tempo no court teve, naturalmente, os seus efeitos: “Senti falta da sensação dos olhos apanharem luminosidade e focarem a bola. [No primeiro treino] estava com dificuldade em focar a bola e em abrir os olhos depois de tanto tempo fechado no quarto sem sol. Foi uma das coisas em que mais senti a diferença, assim como obviamente o corpo já não estar tão habituado aos movimentos específicos do ténis e ao timing da bola.”

E agora… A corrida contra o tempo, mas com calma: a estreia no ATP 250 de Melbourne 2 (onde também está Pedro Sousa) foi marcada para terça-feira. Com os pés assentes na terra, Frederico Silva afirmou que “o primeiro objetivo para esta semana é mesmo não me lesionar.”

“Temos vontade de preparar da melhor forma o torneio, mas temos de ter cuidado com as cargas e com a forma como gerimos, porque depois de tanto tempo parado a prioridade é não me lesionar para poder jogar no Australian Open. Hoje e amanhã vou preparar-me da melhor forma possível, mas sei que não vou estar no meu pico de forma. Tenho de encarar este torneio dando o meu melhor e com vontade de jogar, mas sabendo que é uma semana de preparação para o Australian Open”, concluiu o tenista natural das Caldas da Rainha, que será o 11.º português a competir em quadros principais de singulares do Grand Slam desde que a Era Open começou.

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