Frederico Silva “muito feliz” com vitória “muito importante, que vai ficar marcada para sempre”

Beatriz Ruivo/FPT

Frederico Silva tornou-se, esta quarta-feira, no 11.º tenista português a garantir a presença no quadro principal de um torneio do Grand Slam, ao passar com sucesso pelas três rondas de qualifying do Australian Open que se jogaram em Doha, no Qatar, devido às restrições impostas pela pandemia causada pela covid-19.

Pouco depois de carimbar a passagem para Melbourne, o tenista português de 25 anos falou com o Raquetc e partilhou toda a felicidade consequente do feito alcançado: “Estou muito contente por me ter qualificado para um torneio do Grand Slam pela primeira vez. Jogar um quadro principal do Grand Slam é um dos primeiros objetivos da carreira de um jogador. Em Roland Garros também joguei a ronda de acesso e estou muito contente por ter ultrapassado este qualifying do Australian Open.”

O “bilhete” de apuramento foi conseguido com uma vitória categórica frente a Gregoire Barrere, número 110 do ranking ATP que defendia o estatuto de primeiro cabeça de série e do qual Frederico Silva esperava muitas dificuldades: “Sabia que ia ter um encontro bastante difícil, contra um jogador que tem pancadas muito fortes e que gosta de jogar pontos curtos. Ele é muito forte no fundo do court e desequilibra o ponto para o lado dele, por isso eu sabia que tinha de ser persistente e aceitar que iam sempre surgir winners do lado dele, mas ao mesmo tempo ser eu a pegar no ponto sempre que possível para desequilibrar. Consegui fazer isso e tive um bom equilíbrio na agressividade durante o encontro. Foi bastante importante ter fechado em dois sets e estou muito satisfeito pela forma como encarei e me mantive tranquilo e positivo quando as coisas viraram para o lado dele.”

Apesar de ao longo da carreira já ter derrotado jogadores com melhor ranking, o pupilo de Pedro Felner não escondeu que a vitória assinada na tarde desta quarta-feira guardará um lugar especial nas suas memórias: “Em termos de significado posso dizer que foi a melhor [vitória] da minha carreira, porque me dá acesso ao meu primeiro torneio do Grand Slam. É muito importante e vai ficar marcada para sempre”, confessou.

As três vitórias conquistadas em Doha aconteceram dentro da bolha sanitária que foi criada para garantir a segurança de todos em plena pandemia, tendo esta sido a primeira vez na história que os qualifyings de um torneio do Grand Slam foram realizados num outro país. “Quando os resultados aparecem estas coisas também são geridas mais facilmente, mas desde que chegámos que tentámos aceitar as condições que íamos ter, com as suas dificuldades e diferenças, e isso acabou por ser um ponto a nosso favor. Acabou por ser um torneio idêntico aos outros com a diferença de não podermos sair do hotel para nada a não ser ir ao clube. Não pudemos sequer tomar banho no clube, nem antes, nem depois dos jogos, e as refeições também têm de ser todas no hotel, excepto quanto tínhamos jogo, porque aí recebíamos uma meal box.”

E porque a passagem por Doha foi sinónimo de sucesso, Frederico Silva e Pedro Felner preparam-se para, à semelhança de João Sousa, Pedro Sousa e os respetivos treinadores, passarem por uma experiência ainda mais restrita em Melbourne: todos os jogadores chegarão à localidade australiana entre os dias 15 e 16 de janeiro, esperando-os uma quarentena de duas semanas até que recebam autorização para circularem livremente.

“Neste momento sei que vou viajar para a Austrália, mas não sei quando. Sei que a maior parte dos voos daqui para lá vão ser na madrugada de quinta para sexta-feira, mas ainda não sei em qual deles vou. Sei que vamos estar duas semanas em quarentena, mas ainda não sei com quem é que vou treinar. Estamos à espera de informações dos responsáveis. Neste momento vamos tentar desfrutar ao máximo desta vitória. É pena estarmos nesta bolha e não podermos ir jantar fora para comemorar, mas tanto eu como o Pedro estamos muito contentes com esta passagem ao quadro principal”, concluiu Frederico Silva, que continua a quebrar barreiras pessoais e a juntar-se a novos grupos restritos no que ao ténis português diz respeito.

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