Querrey explica fuga da Rússia depois de acusar positivo: “Mudaram os regulamentos e não me deram respostas”

Foi um dos episódios mais polémicos da retoma do ténis: a poucas horas de participar no São Petersburgo, Sam Querrey testou positivo à covid-19 e, dias depois, soube-se que tinha alugado um avião privado para abandonar o país, indo contra as regras da ATP, do país e do Mundo. Esta semana, o norte-americano falou pela primeira vez sobre a situação, que considera “injusta”.

“Acusámos positivo à covid-19 no segundo teste que fizemos, no domingo antes do torneio começar. Ligaram-nos a pedir que fizéssemos outro teste, para confirmar os resultados, e depois pediram-nos para ficarmos no quarto até que alguém entrasse em contacto connosco. Sabíamos o risco que corríamos e que eram essas as regras e não tínhamos problema nenhum com elas”, explicou o tenista norte-americano à Sports Illustrated antes de detalhar o momento em que tudo mudou.

“Um representante da ATP falou connosco, explicou-nos o protocolo e começámos a pedir serviço de quartos e a receber os lençóis à porta do quarto. Tínhamos de lá ficar durante duas semanas e sentimo-nos seguros, porque estávamos no hotel do torneio. Mas dois dias depois, por volta das 20h, um dos supervisores da ATP explicou-me que já não éramos bem-vindos a ficar no hotel e que dois médicos iriam ao nosso quarto para determinarem se tínhamos sintomas, porque se tivéssemos teríamos de passar pelo menos duas semanas num hospital”, acrescentou o atual número 56 ATP.

“O combinado era que em caso de testarmos positivo faríamos a quarentena no quarto de hotel, mas de repente tínhamos dois médicos desconhecidos a entrar no nosso quarto? Tinha o telefone em voz alta e a minha mulher entrou em pânico. E o nosso filho tinha sete meses na altura e alguma febre por causa dos dentes, por isso não sabíamos se os médicos iam considerá-lo sintomático por causa disso e ficámos com receio. Ninguém nos disse se o levariam para um hospital diferente do nosso, ninguém nos garantiu que ficaríamos juntos. Naquela altura sentimo-nos muito desconfortáveis, por isso expusemos a situação à ATP. Uma vez mais digo que estávamos contentes e seguros no hotel, estávamos totalmente isolados e não tínhamos nenhuma queixa a fazer. Pedi à ATP que adiasse a visita dos médicos para a manhã seguinte, porque ainda estávamos a tentar entrar em contato com a ATP e a embaixada, e naquele momento, com a minha mulher e o meu filho comigo, tomei uma decisão humana e alugámos um jato privado que saía de São Petersburgo de manhã em direção a Londres.”

Ao abandonar o país depois de acusar positivo à covid-19, Sam Querrey foi rapidamente criticado nas redes sociais assim que a situação chegou a público. Mas continua a defender-se: “Eu e a minha mulher usámos máscaras N-95 o tempo todo, não as tirámos sequer para beber um pouco de água ou comer. Quando aterrámos fomos diretamente para um AirBnb que aluguei e ficámos lá durante duas semanas. Como pai, e como marido, tinha de fazer o que sentia ser certo. Não estava disposto a deixar a minha família ir para um hospital por pelo menos duas semanas no local onde estávamos”, continuou.

À Sports Illustrated, Querrey reiterou que “do meu ponto de vista nunca pusemos ninguém em perigo, porque tivemos sempre as máscaras colocadas e fizemos de tudo para minimizar a exposição a quem quer que fosse. Acho que fizemos um bom trabalho e todos os médicos com que falei depois disseram-me isso.”

Dez semanas depois, a ATP pronunciou-se finalmente: o norte-americano recebeu uma multa suspensa de 20.000 dólares, que só terá de pagar caso volte a quebrar as regras nos próximos seis meses.

Para a Austrália, daqui a cerca de 10 dias, não levará a mesma companhia: “A minha família não vem comigo. Mesmo que isto não tivesse acontecido provavelmente não vinha comigo.”

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