Associated Press distingue Naomi Osaka como a atleta feminina do ano

Associated Press (AP) anunciou este domingo que a japonesa Naomi Osaka é a atleta feminina do ano de 2020 para a agência de notícias. A tenista nipónica recebeu 18 dos 35 votos para o primeiro lugar da votação, levada a cabo por editores de desporto e escritores da agência de notícias, e conquistou 71 pontos.

Para além dos feitos dentro do court, onde conquistou o terceiro Grand Slam da carreira com o triunfo no US Open, Osaka destacou-se pelo ativismo fora do jogo. Apesar da temporada ter estado parada durante vários meses por conta da pandemia de Covid-19, a jovem atleta continuou na ribalta enquanto voz ativa na luta contra a injustiça racial. “Ver as injustiças policiais com George Floyd, Breonna Taylor e Jacob Blake – para dizer apenas alguns – partiu o meu coração. Estou orgulhosa da minha vitória no US Open, mas mais ainda por ter conseguido colocar as pessoas a falar sobre os verdadeiros problemas”, começou por dizer, numa entrevista por e-mail.

“Foi difícil estar isolada da minha família durante grande parte do ano, mas isso não é nada comparado com outros. Foi triste ver e ler as notícias das pessoas a sofrer com a Covid-19, o efeito social e económico em muitas delas, em termos de saúde mental e de perder o emprego. Foi um ano tão difícil para tanta gente”, acrescentou. Logo atrás de Naomi Osaka ficou a basquetebolista Breanna Stewart, eleita a melhor jogadora das finais da WNBA, com metade dos votos de Osaka para o primeiro lugar e 60 pontos. O pódio ficou completo com a presença de Sarah Fuller, jogadora de futebol americano das Vanderbilt Commodores, que recebeu um voto para o primeiro lugar e obteve 24 pontos.

As ações de Naomi Osaka durante o US Open não passaram despercebidas aos olhos do mundo. Em protesto contra a injustiça racial, a tenista japonesa anunciou que não ia disputar as meias-finais do Grand Slam norte-americano, em protesto contra o tiroteio policial a Jacob Blake. Horas depois, a organização do torneio seguiu o exemplo da jogadora e cancelou toda a programação agendada para aquele dia. “O ativismo dela [Osaka] foi uma luz de como nós enquanto indivíduos e as ligas desportivas podemos coletivamente gerar um impacto”, afirmou o CEO da WTA, Steve Simon.

Uma das imagens de marca de Osaka durante o US Open foram as máscaras com que entrou em court para os seus encontros. Na frente delas constava sempre um nome de uma das pessoas de raça negra que foram vítimas de violência policial. “Sinceramente, não parei para pensar acerca do que os outros iam achar das minhas ações. As opiniões de outras pessoas não me iam impedir de fazer o que eu, no meu coração, sabia que era o correto a fazer”, disse Osaka, que revelou ainda que “as vozes fortes do Colin [Kaepernick] e do LeBron foram certamente influências positivas”.

Eleita a atleta feminina do ano em 2020, Naomi Osaka torna-se a terceira tenista a vencer a distinção desde os anos 2000. Jennifer Capriati venceu este mesmo prémio em 2001 e, depois disso, Serena Williams conquistou a distinção em 2002, 2013, 2015 e 2018.

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