Quarteto português a postos para o início do Maia Open

Beatriz Ruivo/FPT

Depois de Nuno Borges e ainda antes da estreia de Frederico Silva, que só joga na quarta-feira, Pedro Sousa, João Domingues, Gonçalo Oliveira e Gastão Elias têm estreias marcadas para esta terça-feira no Completo de Ténis da Maia, onde acontece a segunda edição do Maia Open.

Entre os quatro há diferentes momentos de forma e confiança para o último torneio da temporada no circuito profissional. Pedro Sousa, o melhor dos portugueses no ranking ATP, no lugar 113, fez final no CIF há pouco mais de um mês, dispôs de match points para alcançar o primeiro triunfo num Masters 1000 e ainda chegou aos quartos de final no Equador. Chega à Maia como um dos favoritos, mas sem embandeirar em arco. “O torneio ainda nem começou, vou focar-me na primeira ronda”.

A precaução do tenista do CAR da Federação Portuguesa de Ténis está de mão dada com as boas sensações. “Estou a sentir-me bem e a jogar bem, espero que o torneio corra pelo melhor”. Confiança também inalada por Gastão Elias, mesmo que os últimos resultados, caprichos dos sorteios, não tenham sido os mais favoráveis. “Estou bastante confiante e a jogar bem. A semana passada não correu tão bem, mas mesmo saindo de cena na primeira ronda, estou a jogar a um bom nível e sinto-me confiante e motivado para esta semana”, conferiu o actual sétimo melhor tenista nacional, mas que chegou a ser o 57.º do mundo.

No CIF, a caminhada para a final de Pedro Sousa, onde só perderia para Jaume Munar, iniciou-se com um triunfo sobre o amigo Gastão Elias. A desforra pode acontecer na segunda ronda, caso ambos ultrapassem os compromissos inaugurais. “Parece que tenho um íman para os portugueses, mas primeiro temos os dois de ganhar”, afirmou o lisboeta de 32 anos. “Mais uma ficha e era o Pedro outra vez à primeira. Não ser cabeça de série tem destas coisas. É um pouco de azar mas para ir longe no torneio tem de se ganhar aos melhores”, contrapôs o lourinhanense de 30.

Chegar longe no torneio é precisamente o grande objectivo de Elias, vencedor de sete títulos no Challenger Tour. “A partir do momento em que estou bem fisicamente consigo concentrar-me no torneio e ter como objectivo sair como campeão. Acho que tenho jogo, tenho qualidade para isso. Acredito sempre que posso vencer um torneio como este, como já fiz várias vezes. Obviamente que ia ficar muito feliz com uma meia-final, uns quartos, neste momento qualquer coisa seria positivo, mas o meu objectivo principal é sempre ganhar um torneio”.

Já João Domingues, fruto da lesão no pulso esquerdo, tem atravessado um período menos feliz e desde o retomar do circuito só venceu um encontro, pelo que coloca a melhoria do próprio ténis como prioridade face às vitórias. “Não tenho expectativas quanto a resultados. Estou melhor da minha lesão, ainda que não a 100% mas bastante melhor em relação aos últimos torneios que disputei. Espero conseguir jogar a um bom nível e não estar limitado.”

Uma boa forma de esquecer a fase menos boa é, provavelmente, recordar a edição anterior, na qual o oliveirense disputou a meia-final e andou muito perto do triunfo frente ao gaulês Constant Lestienne. “Tenho boas memórias. O ano passado estava também a passar um mau momento mas acabei bem a temporada. É sempre bom jogar em Portugal e há que dar os parabéns à Federação Portuguesa de Ténis pelo esforço na realização de torneios desde o recomeço”, enalteceu o número 176 do mundo, natural de Oliveira de Azeméis.

Ainda mais perto do Complexo em relação à terra natal está o portuense Gonçalo Oliveira, ausente em 2019 devido a uma lesão no pulso. A felicidade espalhava o rosto do campeão de pares do Lisboa Belém Open. “Sinto-me bem, sobretudo por estar a jogar em casa. Sabe bem voltar [vive actualmente no Algarve]. O ano passado fiquei triste por não jogar e só é pena não haver público”.

Nos duelos agendados para terça-feira, Gonçalo Oliveira vai ser o primeiro a entrar em court, às 11 horas, e terá pela frente o turco Altug Celikbilek, carrasco de Tiago Cação na fase de qualificação. “Nunca joguei contra ele mas já treinei várias vezes, ainda que seja diferente. Espero um encontro difícil porque acabei de treinar com o Nino [Serdarusic], e ele está a jogar muito bem”.

A seguir a Oliveira jogará João Domingues, que em teoria tem o desafio mais complicado entre o contingente luso face a Carlos Taberner, oitavo pré-designado. O espanhol lidera o mano a mano com duas vitórias, a última este ano. “Conheço-o muito bem e somos amigos. É um bom jogador, sólido e sei que terei de estar a muito bom nível para ganhar”, reconheceu.

Não antes das 14 horas será a vez de Pedro Sousa, que defronta um tenista oriundo da fase preliminar. “Não conheço muito bem o Maxime Hamou, não sei o que esperar. É daqueles dias em que vou preocupar-me mais com o que posso fazer. Espero entrar forte no torneio”, frisou.

Por último, já sabendo quem terá pela frente caso vença, para fechar o dia, Gastão Elias reencontra o russo Pavel Kotov, contra quem venceu no ano passado no Cazaquistão. “Joguei contra ele em condições totalmente diferentes, num outdoor piso rapidíssimo. Estou curioso para ver como será o jogo aqui. Ele tem potência nos golpes, bate muito forte, e não sei como é que joga em terra batida e se é melhor do que em rápido, mas já tenho algumas pessoas a trabalhar nisso. Estou confiante. Se estiver bem, concentrado, a fazer o que tenho a fazer, tenho grandes possibilidades de ganhar”, apontou, sem antes deixar de puxar pela memória: “Ganhei o Maia Jovem em 2004, por isso nunca perdi na Maia. Gosto de jogar indoor, o court central é dos melhores do país e espero sair daqui invicto”.

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