João Monteiro à procura de soluções depois de um ano atípico

Beatriz Ruivo/FPT

Depois do desaire na primeira ronda da fase de qualificação no CIF, o mesmo dissabor na Maia. João Monteiro não sorriu nos Challengers em 2020 e no final mostrou-se desanimado com a temporada e apreensivo quanto ao futuro.

“As condições aqui são muito diferentes do Lisboa Belém Open e piores para o meu jogo e para as minhas características. É muito húmido, lento e os campos estão com muita terra batida, o que torna difícil conseguir pôr a bola a andar”, começou por dizer o portuense, que completou apenas três jogos face ao checo Michael Vrbensky mas chegou a ter break points para duplo break no segundo parcial. “A partir do final do primeiro set tentei ser mais agressivo, jogar mais em cima da linha. Nos break points ele fez um segundo serviço em que a bola bate na linha e a seguir faz outro serviço na linha e fica 40-40. No jogo seguinte, no meu serviço, tem duas bolas decididas na tela e eu faço uma dupla falta. Sem saber muito bem como entrou na discussão do set quando até estava meio cabisbaixo. Mas são coisas que acontecem e ele foi muito melhor do que eu, está com mais ritmo e mais habituado a este nível neste momento e consegue gerar mais potência nestas condições”.

Não foi uma temporada fácil para o tenista natural do Porto. No início de 2020 estava a recuperar a melhor forma depois da operação ao pulso esquerdo, que o afastou de grande parte da época anterior, mas uma entorse em Vale do Lobo fê-lo voltar à estaca zero. “Depois das lesões veio a Covid e isto abalou mentalmente muitos jogadores. E eu fui um deles. Estou a sofrer bastante. Há poucos torneios em Portugal e os que existem estão cada vez mais fortes”, explicou o antigo 237 mundial, que está actualmente sem aconselhamento técnico. “Não há dinheiro para investir em treinadores e assim fica mais difícil evoluir. É difícil procurar alguém quando não há essa possibilidade”.

A solução? “Outro circuito interno como no verão. Precisamos de competição em Portugal para elevar o nível médio, além de que actualmente, com a redução do número de torneios, é mais difícil”, analisa Monteiro. “É importante dinamizar nesta altura tendo em conta que o ténis é um desporto seguro. Quem sabe se não se catapultaria a modalidade a desporto nacional. As pessoas que vivem do ténis precisam de ajuda, sobretudo os jovens, que podem vir a ser os melhores do mundo daqui a uns anos”.

Para já, João Monteiro garantiu continuar a treinar enquanto espera por novidades quanto ao calendário.

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