Medvedev tira alguma estranheza ao silêncio de Paris

Nem nas bancadas da monumental arena de Paris-Bercy, nem nas redes sociais, nem nos canais oficiais. Quando Alexander Zverev conquistou o primeiro set da final do Rolex Paris Masters, tudo pareceu alinhado para a conquista menos celebrada da história dos torneios de grande dimensão. Mas a reviravolta de Daniil Medvedev retirou alguma estranheza à edição mais obscura do último ATP Masters 1000 da temporada, que não recuperou o público, mas voltou a ganhar destaque nas plataformas que este ano, ainda mais do que nos anteriores, lhe deram a única voz.

Figura maior de uma temporada de 2019 em que se apresentou ao universo, o russo apresentou-se perdido e demasiado queixoso na primeira parte do encontro, mas reencontrou-se a tempo de mudar por completo o desenrolar dos acontecimentos e venceu por 5-7, 6-4 e 6-1 para escrever um capítulo feliz numa temporada que não lhe estava a sorrir.

Em contraste total, Zverev falhou por muito pouco o final de que precisava para uma semana sombria. Acusado de violência doméstica pela ex-namorada Olya Sharypova (acusações que negou num comunicado partilhado nas redes sociais), o número sete mundial tem sido ignorado tanto quanto possível pela Associação dos Tenistas Profissionais desde que as acusações foram tornadas públicas, pelo que nem a vitória sobre Rafael Nadal nas meias-finais, nem a entrada com o pé direito na decisão deste domingo lhe valeram protagonismo nas redes sociais da organização, que estendeu o blackout de comunicação à “conta-prima” do serviço Tennis TV e só no website oficial foi referindo o inevitável, mas sempre de forma muito discreta.

Com apenas 23 anos, o alemão esteve perto de juntar o nome à lista de campeões de torneios do Grand Slam no US Open, que só perdeu no quinto set para o seu bom amigo Dominic Thiem, e soube traduzir a forma ganha em Nova Iorque em resultados na cidade de Colónia, onde aproveitou os dois torneios improvisados devido à pandemia para conquistar os primeiros títulos do ano e abrilhantar uma época em que já se tinha destacado no Australian Open (chegou às meias-finais), mas à qual faltava adicionar as conquistas de anos anteriores.

Durante as duas semanas “em casa”, o germânico viu o esforço recompensado e repercutido um pouco por todo o mundo pela forma como dominou a concorrência, mas as acusações entretanto tornadas públicas — e que praticamente coincidiram com o anúncio de que a ex-namorada mais recente, Brenda Patea, está grávida — alteraram por completo o “palco” que lhe foi reservado durante o Rolex Paris Masters, independentemente de na capital francesa ter somado a oitava vitória da carreira frente a jogadores do chamado “Big Three”, ou de nela ter disputado a sétima final da carreira a este nível (o melhor registo a seguir a Djokovic, Nadal e Federer entre os tenistas que estão em atividade).

Para a ATP, que nunca assumiu a tomada de posição em relação aos momentos de comunicação relacionados com Zverev, o resultado deste domingo terá sido um alívio. Já Zverev, fez questão de garantir, em plena cerimónia de entrega dos troféus, que tudo está bem: “Sei que neste momento há muitas pessoas que vão tentar tirar o sorriso da minha cara, mas por baixo desta máscara tenho um grande sorriso. Sinto-me muito bem no court e estou rodeado de pessoas que me amam. Dentro de pouco tempo vou ser pai e tudo está bem. As pessoas que estão a tentar fazê-lo podem continuar a tentar, mas eu continuo a sorrir.”

De volta a Medvedev, depois de Cincinnati e Xangai em 2019 a conquista em Paris 2020 é a terceira em torneios Masters 1000 e a oitava de um currículo que continua a compor-se. Depois de meses de muitas dúvidas, o russo conseguiu recuperar estatuto e chegará a Londres com outra motivação para participar pela segunda vez no Nitto ATP Finals, onde há um ano se estreou de forma desapontante, com três derrotas nos três encontros que realizou na fase de grupos.

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