Em perfeita sintonia, Pedro Sousa e Gastão Elias dizem que duelo de amigos no Lisboa Belém Open será “imprevisível”

Steve Grácio/Lisboa Belém Open

LISBOA — Assim que o diretor do Lisboa Belém Open, Manuel de Sousa, retirou as fichas que cruzaram Pedro Sousa e Gastão Elias na primeira ronda do quadro principal de singulares, o entusiasmo misturou-se com uma sensação agridoce. Pela frente, logo a abrir a ação, estarão dois dos melhores tenistas portuguesas de sempre que são, também, grandes amigos. O respeito é mútuo, os anos de treino lado a lado e frente a frente dariam páginas de histórias e por isso, na antevisão ao encontro que acontecerá na terça-feira, quer um, quer o outro não hesitaram em dizer que é impossível prever o que acontecerá no court.

“Temos um grupo no WhatsApp e ele até foi o primeiro a comentar, mandou logo uma boca porque foi precisa pontaria. Mas é o que é, já temos os dois idade para saber lidar com isto”, disse o lisboeta. “Somos profissionais e já esperamos situações como estas”, concordou o lourinhanhense, que “gostaria de ter evitado” defrontar antes das últimas rondas do torneio o amigo, com quem treina há quase duas dezenas de anos na terra batida do CIF.

Por isso, entre “uma situação um bocadinho complicada” — foi assim que ambos a descreveram — nem Pedro Sousa, nem Gastão Elias se quiseram agarrar ao favoritismo.

“Ele jogou a vida toda em terra batida e já está a treinar a treinar nesta superfície há uma semana, por isso acho que não é por aí que tenho vantagem”, respondeu Sousa. “Ele tem um pouco de vantagem por já estar a competir neste piso há algumas semanas e ter tido excelentes resultados este ano, enquanto eu ainda não fiz sequer um encontro oficial em terra, mas joguei em terra a minha vida toda, por isso sinto-me em casa e dentro de casa”, apontou Elias.

O frente a frente oficial é parco em encontros (foram apenas três e só dois terminaram, ambos com vitórias de Gastão Elias) e neste caso de pouco ou nada serve: “Devemos ter passado mais de 1000 horas juntos neste campo, o central, e já treinámos muitas outras vezes juntos. Eu estou em forma e ele também, porque vem de ganhar um Future, e acho que quem lidar melhor com a situação pode conseguir fazer a diferença se o encontro for decidido em detalhes”, acrescentou Pedro, que defende o estatuto de segundo cabeça de série e é o 113.º de um ranking onde Gastão ocupa atualmente o 507.º lugar.

“Está com esta classificação porque esteve lesionado e teve alguns azares, mas o nível continua lá. O ranking não conta muito e acho que o encontro vai ser muito equilibrado, por isso não é isso que fará a diferença”, concluiu o mais velho dos portugueses, que há duas semanas jogou a 14.ª final da carreira no ATP Challenger Tour, em Split, na Croácia.

Uma vez mais em sintonia, Gastão Elias salientou que “vai ser a primeira vez que nos vamos enfrentar estando o Pedro consideravelmente melhor do que eu no ranking, porque está perto do top 100 e eu bem longe, mas acho que isso é irrelevante porque assim que a bola começar a rolar os rankings vão ao ar.”

Tímidos nas previsões, mas bem mais seguros em relação ao equilíbrio que prevêem, os dois portugueses têm mais um dia para preparar o encontro mais aguardado de toda a primeira ronda: só vão a jogo na terça-feira, à semelhança do compatriota Nuno Borges, que perdeu este domingo a final do ITF de 15 mil dólares de Setúbal. Quanto à jornada de segunda-feira, marcará as estreias de João DominguesFrederico SilvaGonçalo Oliveira.

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