A 900km de Roland-Garros, Rublev conquista o título mais importante da carreira em Hamburgo

Um pouco por todo o mundo, muitos despertadores foram programados com o objetivo de acompanhar a primeira jornada de uma edição bem diferente de Roland-Garros, mas em Hamburgo ainda havia um capítulo por fechar e quem acabou a sorrir por último foi Andrey Rublev, russo que este ano só é superado nos números pelo número um, Novak Djokovic.

Na final mais importante da carreira, o moscovita esteve muito perto da eliminação, mas conseguiu quebrar Stefanos Tsitsipas num momento crucial e vencer quatro jogos consecutivos para, com uma dupla falta do grego, vencer a final do ATP 500 alemão com os parciais de 6-4, 3-6 e 7-5.

Foi a 25.ª vitória de 2020 para Rublev, que só é superado por Djokovic (31).

Num encontro frenético, os dois jogadores “esqueceram-se” que uma hora antes da final já Roland Garros tinha começado e brindaram o público — em Hamburgo houve espetadores, e muitos, mas sempre com todos os protocolos necessários e a segurança em primeiro lugar — com um ténis entusiasmante e, sobretudo, imprevisível.

Rublev foi o primeiro a ganhar vantagem. Graças a uma direita “no ponto” e maior estabilidade na pancada de esquerda, o russo conseguiu amenizar o slice de Tsitsipas e colocar-se em boa posição de conquistar o maior título da carreira. Mas o grego (campeão em título do ATP Finals) retaliou a tempo e, depois de perder a primeira partida, aumentou a percentagem de primeiros serviços, explorou a pancada de direita do adversário com respostas mais profundas e também defendeu melhor.

Em suma, o campeão do último Millennium Estoril Open (a edição de 2020 foi cancelada) fez tudo bem, até que chegou o momento de servir para o encontro. Com nervosismo em demasia, Tsitsipas não só tremeu como entregou o jogo de serviço e perdeu o comboio da discussão do encontro, revelando-se incapaz de responder ao aumento de intensidade de Rublev na reta final do encontro e à exigência psicológica do momento: o encontro terminou com uma dupla falta, a pior forma possível de um duelo chegar ao fim e, sobretudo, em Hamburgo, onde o troféu do ano seguinte retrata o percurso da bola no match point

Com apenas 22 anos, Andrey Rublev — que no passado foi assolado por lesões — tem sido uma das grandes figuras da época e para além do segundo lugar em número de vitórias passou a ocupar, igualmente, o segundo posto na listagem de maiores vencedores de 2020, porque antes de Hamburgo já tinha ganho em Doha e Adelaide. À frente dele só mesmo Novak Djokovic.

Encerrado o último capítulo do ano na terra batida, Rublev e Tsitsipas enfrentam agora um desafio ainda maior do que vencer em Hamburgo, onde a final terminou às 15h locais: viajar até Paris, fazer uma quarentena de 24 horas nos respetivos quartos de hotel enquanto esperam por um resultado negativo ao teste à covid-19 e preparar os encontros de estreia em Roland-Garros, marcados para terça-feira.

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