Dominic Thiem vira final que parecia perdida e é o novo campeão do US Open

Dominic Thiem é o primeiro homem nascido nos anos 90 a vencer um torneio do Grand Slam.

Aos 27 anos, o austríaco (3.º no ranking ATP) travou a metamorfose surpreendente do melhor amigo Alexander Zverev (7.º) e deu a volta a uma final que parecia perdida (um déjà vu em relação à decisão feminina) e venceu por 2-6, 4-6, 6-4, 6-3 e 7-6(6).

Numa noite decisiva para ambas as carreiras, Zverev e Thiem nem sempre conseguiram brindar a audiência (televisiva, claro) com um ténis espetacular e o encontro dividiu-se em vários atos. O primeiro estendeu-se pelos dois primeiros sets e foi totalmente favorável ao alemão, que com uma assertividade rara se separou da sua própria sombra para dar dois passos determinantes. As estatísticas mostram que a vantagem foi, em grande parte, construída na vertical: com 88% de pontos ganhos no primeiro serviço e 28 subidas à rede, 22 delas bem sucedidas.

Com as bancadas do maior court do mundo vazias, não houve público que gritasse por uma recuperação para animar a decisão — mas ela chegou: Thiem, que apesar de estar na quarta final da carreira em Grand Slams entrou pela primeira vez como favorito, deixou o nervosismo para trás, devolveu a quebra de serviço que o alemão lhe impôs ao terceiro jogo e começou a abrir o livro. Obrigado a tomar a iniciativa para ter uma palavra a dizer, o austríaco voltou a intensificar a pressão no “saque” do adversário e foi recompensado na reta final, num 10.º jogo que começou a mudar o rumo da final.

Já com um set do seu lado, Thiem precisou de ser paciente e foi recompensado: não conseguiu aproveitar nenhum dos dois break points que criou ao 3-3, mas dois jogos depois Zverev cometeu uma dupla falta fatal que lhe deu a possibilidade de servir para forçar um set decisivo. E assim foi.

Sem encantar, a final tornou-se na quarta consecutiva em torneios do Grand Slam a ser decidida no quinto set (um registo inédito) e ganhou em drama o que pecou em qualidade.

No quinto parcial jogou-se pela história e serviu-se para o encontro (primeiro Zverev, ao 5-3, depois Thiem, ao 6-5), mas a igualdade manteve-se e pela primeira vez nos 50 anos desde a introdução no tie-break no set final em Nova Iorque o título foi decidido no tira-teimas: ao terceiro match point, e depois de cãibras de parte a parte, o jogador natural de Wiener Neustadt conseguiu, finalmente, conquistar o maior título da carreira.

Depois de perder as finais de Roland Garros em 2018 e 2019 e do Australian Open já em 2020, Dominic Thiem é, finalmente, campeão de um torneio do Grand Slam.

E com história à mistura: nunca um austríaco tinha ganho o US Open e desde 1949 (Pancho Gonzales) que não havia uma recuperação de dois sets a zero na decisão de singulares. E esta foi a primeira reviravolta total desde a conquista épica do argentino Gaston Gaudio frente ao compatriota Guillermo Coria na edição de 2004 de Roland Garros, precisamente o torneio para o qual Dominic Thiem vira os olhos já de seguida.

Em termos de carreira, o título conquistado este domingo é o 17.º da carreira de Dominic Thiem em 27 finais disputadas, enquanto Alexander Zverev — que até este ano não tinha conseguido replicar nos Grand Slams o sucesso no circuito ATP (que o levou a conquistar o ATP Finals, em 2018, e três Masters 1000 — passa a contar com oito troféus de vice-campeão e 11 de vencedor.

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