João Maio sobre Nuno Borges: “A ideia é chegar ao fim do ano perto do top 300”

Beatriz Ruivo/FPT

FIGUEIRA DA FOZ — Pela segunda vez em três semanas, João Maio acompanhou in loco a caminhada de Nuno Borges rumo a mais uma vitória em torneios do Circuito Sénior FPT. No final, o treinador comentou o nível atual do seu pupilo, as bases do triunfo na final e o futuro.

“Se calhar o resultado não espelha as capacidades do Duarte, mas o Nuno jogou muito bem, jogou sempre em cima da linha e pressionou-o de forma a não o deixar jogar. Na véspera falámos e eu disse-lhe que tinha de ser sempre ele a pressionar, a entrar no campo e o Nuno cumpriu isso perfeitamente. Foi por isso que houve um desnível grande”, analisou o diretor técnico da Escola de Ténis da Maia.

Em relação ao encontro das meias-finais, João Maio destacou o “saque” do pupilo: “Contra o Frederico Silva estava muito mais vento. E como o Nuno atira a bola muito alto e vai lá acima quando está vento o serviço descoordena-se e ele opta muito pelo serviço em slice. Viu-se que nesse jogo serviu cruzado em 80% ou 90% das vezes, e esse é um serviço que não lhe dá ases e não faz a diferença. Na final, por estar menos vento, voltou a ter essa facilidade.”

Depois das vitórias na Vale do Lobo Tennis Academy e no Tennis Club da Figueira da Foz, segue-se o Complexo Desportivo do Monte Aventino, onde Nuno Borges procurará não só mais um título, como… “Ganhar mais dinheiro para a carreira dele. Ele tem muitos torneios para jogar e precisa de ter possibilidades de o jogar, portanto é disso que ele anda à procura: fazer dinheiro para conseguir fazer face à programação que vai ter pela frente.”

Convencido de que o jogador maiato “tem nível para ser profissional e viver do ténis”, João Maio referiu que agora se segue “uma fase que não é fácil, que é ter de subir no ranking“, e abordou o futuro-próximo do tenista português.

“Como há poucos Challengers ele não vai ter possibilidade de os jogar, portanto vai ter de ir a Futures. Temos estado a ver, mas ainda estamos a pensar se vamos jogar os torneios que vimos, porque estar a jogar já em sítios que não sejam tão seguros não vale a pena. Acho que estas quatro semanas são espetaculares, porque já não estava a ser fácil tê-los a treinar. Estiveram parados cerca de um mês, mas depois treinaram um mês e meio e para jogadores deste nível não é fácil ter motivação para estar a treinar se objetivos. Estas semanas dão-lhes vontade de voltar a competir e eles competiram a um alto nível”, explicou.

“Agora vai haver um interregno de cerca de mais um mês, mas vamos tentar recomeçar logo na primeira semana [17 de agosto]. Em Portugal há torneios a partir de meio de setembro, mas até lá eu gostava que ele fizesse pelo menos outros dois para não estar outra vez tanto tempo sem competir”, acrescentou João Maio, antes de se debruçar sobre os objetivos definidos.

“A ideia era o Nuno posicionar-se entre os 300 primeiros nos primeiros seis meses para conseguir jogar Challengers, mas como sabemos não se jogou muito e por isso temos de adiar estes meses. Agora a perspetiva é chegar ao final do ano com esse ranking. Noutros países os jogadores como o Nuno têm alguma facilidade porque recebem wild cards para vários torneios ATP. Ainda no outro dia ao jantar estivemos a falar do rapaz inglês com quem ele jogou, que entretanto já foi a Wimbledon e a uma série de torneios. Portugal é um país pequeno e ainda temos poucos torneios e poucas possibilidades de projetar estes jogadores, mas mesmo assim a federação está de parabéns, porque já temos três Challengers em Portugal e está-se a pensar em fazer mais. Essa é uma grande ajuda para os jogadores, porque em Futures praticamente não ganham pontos e demoram muito tempo a subir”, detalhou o treinador.

“Se o Nuno tiver que fazer os Futures e os Challengers todos vai demorar um ano e meio, dois a chegar lá, enquanto com wild cards a coisa pode desbloquear mais rapidamente, porque ele tem nível para isso. Neste momento ele podia perfeitamente estar a jogar Challengers e ATPs e entre os 100 primeiros talvez jogasse taco a taco com alguns. E uma vitória aqui, uma vitória ali seriam logo muitos pontos. É isso que vamos tentar conseguir rapidamente”, concluiu João Maio.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."