Favoritos encontram-se no “Dia D” em Lisboa

Beatriz Ruivo/FPT

LISBOA — Houve muito bom ténis, mas nada de surpresas na penúltima jornada da segunda etapa do Circuito Sénior da Federação Portuguesa de Ténis, que resultou no apuramento dos favoritos para as finais de domingo no Lisboa Racket Centre.

No quadro masculino, o super-favorito João Sousa (30 anos, número 66 do “ranking” mundial) voltou a demonstrar que continua a subir o nível e venceu um duelo de conterrâneos frente a Luís Faria (20 anos, 817.º na mesma tabela classificativa) por 6-4 6-4.

Naquele que foi um reencontro entre vimaranenses pela primeira vez desde que treinaram quando o mais novo era ainda “muito pequenino”, o jovem tenista do Centro de Alto Rendimento conseguiu deixar boas indicações e até ameaçou um resultado diferente: depois de ver Sousa acelerar para fazer o “break” em branco e repetir a fórmula no serviço para fechar um primeiro “set” que até aí tinha sorrido sempre aos servidores, Faria regressou dos balneários “motivado para fazer melhor”. E fez, ao quebrar o serviço do adversário para chegar ao 2-0 e aumentar rapidamente a vantagem no “saque”. No jogo seguinte, o mais novo dos dois vimaranenses teve outra oportunidade para dilatar a vantagem, mas não o fez e aí se viu a diferença entre os dois.

Habituado a outro patamar, João Sousa puxou da experiência quando se sentiu apertado no marcador e começou a dar outro andamento à bola. A partir desse momento, o melhor tenista português de todos os tempos venceu seis dos sete jogos que se seguiram e ficou com a vitória.

“Hoje foi mais um bom encontro. Sabia que o Luís ia entrar muito motivado, somos os dois de Guimarães e sabia que ele ia jogar muito solto porque não tinha nada a perder. Fizemos os dois um bom encontro, no final dos dois ‘sets’ eu consegui jogar melhor e elevar o nível e essa foi a grande diferença. Obviamente ele não tinha nada a perder e fez um bom jogo, mas nos momentos decisivos consegui jogar um bocadinho melhor e acabei por vencer”, contou no final do encontro.

Sobre o adversário, João Sousa fez vários elogios: “Já tínhamos treinado juntos, mas ele ainda era muito jovem. Foi há cinco ou seis anos e não sabia que ele tinha evoluído tanto. É um excelente jogador. Se trabalhar pode chegar longe no ténis, tem um bom futuro. Não o conheço muito bem, mas pelo que conheço é um excelente ‘miúdo’, toda a gente gosta dele.”

A segunda meia-final do quadro masculino teve contornos semelhantes, com Frederico Silva (193.º ATP) a afastar Duarte Vale (sem “ranking” internacional, mas número 11 na prestigiada classificação do circuito universitário dos EUA) por 6-3 e 6-4.

Tal como João Sousa, também Frederico Silva conseguiu comandar a primeira partida e teve de puxar dos galões para resgatar a segunda e evitar uma batalha mais longa. Sob um calor intenso e muito menos vento do que nas jornadas anteriores, o número quatro nacional não conseguiu estar tão concentrado: “Não sei se foi por as condições de jogo estarem mais fáceis do que ontem, porque o vento obrigava-nos a estar a 300% em cada ponto, mas não foi tão fácil para mim manter o mesmo foco durante todo o encontro e contra um jogador como o Duarte, que joga de uma forma muito agressiva, com muita intensidade, isso faz a diferença. Foi aí que ele esteve muito bem quando virou o jogo no segundo set, mas eu concentrei-me e voltei a puxar por mim para me focar nas coisas que sabia que tinha de fazer”.

Para domingo, o tenista das Caldas da Rainha está otimista em relação à sua “performance”: “Não tenho dúvidas de que de todos os jogos que já fiz este vai ser aquele em que vou jogar melhor, porque até agora foram todos encontros em que de certa forma o favoritismo estava do meu lado. Amanhã vai ser a primeira vez em que eu posso jogar contra um favorito e vou estar com ainda mais motivação e ‘pica’ para fazer um bom jogo. O João é um jogador top 50 há muitos anos e vou ter de jogar o meu melhor para ganhar, mas estou muito contente por jogar contra ele amanhã e por estar na final deste torneio.”

No quadro feminino, repete-se a final de há uma semana, na Vale do Lobo Tennis Academy: em duelos entre amigas, Francisca Jorge (número 579 do mundo) superou Maria Inês Fonte (912.ª) por 6-2 e 6-2 e Inês Murta (645.ª) aplicou os mesmos parciais a Ana Filipa Santos (1141.ª).

“Hoje joguei bem. Acho que no segundo set baixei um bocadinho a concentração porque dei a vitória como garantida quando fiz o 4-0 e não devia, mas consegui manter a calma, voltar ao ritmo que estava a conseguir impor e tranquilizar-me para continuar a ser superior”, considerou a tricampeã nacional absoluta.

Já sobre o lançamento da final, em que procurará o 12.º triunfo consecutivo (vem dos títulos no Open de Oeiras e na primeira etapa deste circuito, em Loulé), Francisca Jorge disse estar “preparada” e revelou otimismo: “Estou tranquila. Vou fazer o meu jogo, avaliar a estratégia e desfrutar. Vai ser uma boa final.”

Por sua vez, Inês Murta quer aproveitar os conhecimentos que retirou da última semana: “Senti-me a servir bem nas últimas duas semanas, mas hoje não estava nada confiante e não me estava a sair bem, por isso não joguei com um bom primeiro serviço. Mas acho que estive melhor taticamente e lutei, por isso estou satisfeita com o resultado. Espero que seja uma final diferente. Este campo é mais lento, a bola salta mais em relação a Vale do Lobo e acho que isso me pode favorecer em certas situações e espero jogar melhor taticamente e ser mais conservadora nos erros. A final da semana passada ajuda-me a ter uma referência, quero tentar aprender com o que fiz mal para não o repetir amanhã.”

A final entre a primeira e a segunda cabeças de série será o primeiro encontro da jornada de domingo, que arranca às 10h — e tem transmissão televisiva na Sport TV 4. Depois, segue-se o encontro entre João Sousa e Frederico Silva, que conclui a segunda etapa do Circuito Sénior FPT, que do Lisboa Racket Centre seguirá para o Tennis Club da Figueira da Foz (6 a 12 de julho).

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."