João Zilhão: “Há uma vontade brutal da parte da ATP para que se volte a jogar o mais cedo possível”

Com os circuitos mundiais totalmente paralisados há mais de dois meses e meio, a Associação de Tenistas Profissionais (ATP) está a trabalhar com os vários cenários possíveis e o grande objetivo passa por conseguir concluir a temporada de 2020.

Num “fórum à distância” promovido pela Associação de Ténis do Porto, João Zilhão, o diretor do Millennium Estoril Open, explicou que “há uma vontade brutal e a ATP está a fazer tudo para que se volte a jogar o mais cedo possível.”

Nas palavras do responsável pelo único torneio da elite do circuito masculino a acontecer em Portugal, é desejo daquela entidade fazer acontecer “o maior número de torneios possível” até ao final do ano. As razões são óbvias: “quanto mais cedo se voltar, melhor ficará a economia não só da ATP, como de todos os torneios.”

Numa conversa com os jornalistas Pedro Keul, Hugo Ribeiro e Miguel Seabra, João Zilhão lembrou que o circuito masculino tem “três fontes de receita extremamente importantes: os direitos televisivos, os direitos das apostas e os contratos com os patrocinadores” e salientou a importância do Nitto ATP Finals.

É a maior fonte de receita para a ATP porque é um evento muito lucrativo nestes três pontos, e como tal a ATP vai fazer tudo para que se possa realizar, nem que seja à porta fechada. Estamos a falar de muito menos jogadores, são apenas oito para os singulares e oito duplas. Ter os estádios vazios é o cenário menos desejado, mas entre não se jogar de todo ou jogar-se, obviamente que se se puder irá ser realizado porque é fundamental para a saúde financeira do circuito.”

Atualmente, os circuitos internacionais estão suspensos até ao dia 31 de julho e João Zilhão contou que “está previsto no dia 15 de junho a ATP lançar o calendário de agosto até ao final do ano, o calendário que acham possível.”

Com alguns Masters 1000 e “um ou dois Grand Slams” em cima da mesa, dependendo das decisões tomadas pela USTA e a FFT e, acima de tudo, pelas autoridades de saúde locais, o regresso aos courts de forma oficial ainda pode ser uma incógnita mas já se começam a ver algumas exibições um pouco por todo o planeta — e estas soluções alternativas agradam aos responsáveis.

“A ATP vê com bons olhos poder voltar-se à competição desta forma especial, sem público, com limitações, e testar-se o regresso. É muito interessante passar-lhes [às exibições] o pontapé de saída para que até ao regresso, em agosto, já se tenham testado várias dinâmicas de jogo sem apanha-bolas, só com o hawk-eye ou a interligação entre os jogadores e os staffs dos torneios. Não vão passar de exibições, mas vão permitir afinar muitas coisas para quando o circuito voltar”, concluiu o diretor do Millennium Estoril Open.

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