João Sousa desabafa: “Tenho dúvidas de que vá haver ténis este ano”

Joao Sousa 9
Fotografia: Jorge Cunha/AIFA

A pandemia do novo coronavírus colocou o Mundo do avesso e o ténis não foi exceção, com os circuitos mundiais a serem suspensos a meio de março e ainda sem terem uma data definida para o regresso. João Sousa, o número um português, continua a treinar em Guimarães para voltar à ação, mas sem saber ao certo para quando.

“Neste momento, continuo apenas a tentar perceber qual será a melhor altura para voltar. O ténis tem esta dualidade. Por um lado, é uma das modalidades em que o regresso aos treinos parece ser mais fácil. Por outro, voltar a competir é talvez das mais difíceis, dado que estamos a viajar pelo mundo permanentemente”, desabafou o melhor tenista português de todos os tempos numa crónica assinada na primeira pessoa para o jornal A BOLA.

“Tenho recebido muito pouca informação. O grupo de jogadores do top-100 no WhatsApp, do qual faço parte, tem estado pouco ativo. Para já, a única certeza é que está tudo suspenso até final de julho. Tenho dúvidas que vá haver ténis este ano. É difícil prever. Penso que tentar jogar em agosto será prematuro. Vai depender se a ATP quer prolongar o circuito até ao final do ano, se o quer cancelar e só reiniciar em 2021…”, acrescentou.

Em casa, com a família, desde que o circuito foi suspenso e se percebeu que o país ia entrar em Estado de Emergência, João Sousa confessou já ter saudades da rotina dos últimos 15 anos. “Tenho saudades da minha vida. Daquela a que estou habituado há 15 anos, de aeroporto em aeroporto, carregando o saco de raquetas, de torneio em torneio. Aquela em que eu, o João Sousa tenista, se realiza. Porém, é nesta espécie de regresso ao passado, à minha outra vida em Guimarães, na casa dos meus pais, que escrevo estas palavras sobre este momento, em que este adversário desconhecido me obrigou, a mim e a todos nós, a renascer para uma vida diferente. A minha casa em Barcelona já não me conhece, provavelmente o meu carro de lá já está com as rodas quadradas. Mas sei que tenho de esperar mais um pouco, antes de tentar voltar à minha outra normalidade.”

Enquanto a normalidade não regressa, reencontra-se com o seu primeiro parceiro de treinos: “Enquanto estes ses não têm resposta, vou estando por Guimarães, batendo bolas com o meu pai. É ele que me vai atirando algumas bolas. Coitado, já não dá luta, só nos baldes, mas também se diverte. Para eles, está a ser bom ter o ninho cheio de novo. Para mim, está a ser ótimo voltar a uma normalidade que, afinal, também nunca deixou de ser a minha.”

E nem as lidas da casa lhe escapam: “Nesta minha nova/antiga vida não tenho poupado muito a Sra. D. Adelaide na cozinha, mea culpa, mas ajudo na arte da jardinagem. Do lado de fora da casa, corto a relva, é mais o meu ramo [risos]. (In)felizmente não me falta espaço. É bom ter a casa grande, mas depois o trabalho é proporcional cá fora. Já não estava habituado a estas tarefas. E assim vou compensando a falta que sinto da pressão de competir, das viagens…”

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