Foi há 8 anos: Federer e Serena venceram na polémica terra batida azul de Madrid

Cumprem-se esta quarta-feira exatamente oito anos desde o término de uma das semanas que mais deu que falar no mundo do ténis devido à superfície utilizada num torneio. Em 2012, o Mutua Madrid Open trocou o “laranja” da terra batida pelo azul — uma jogada contestada por muitas figuras grandes da modalidade (entre elas, a grande estrela da casa) que se revelou um sucesso de marketing, mas não voltou a ser repetida.

Naquela semana, em que a capital espanhola reuniu os melhores jogadores e as melhores jogadoras do mundo, falou-se mais da cor do court do que do que nele aconteceu, mas para a história entraram duas lendas do desporto: Roger Federer e Serena Williams, dois campeões um tanto ou quanto improváveis que acima de tudo comprovaram uma enorme e louvável capacidade de adaptação.

Liderado pelo peculiar Irion Tiriac (ex-número oito do mundo e finalista da Taça Davis em três ocasiões, atualmente considerado o terceiro homem mais rico da Roménia), o torneio sempre gostou de dar nas vistas: em 2004, substituiu os tradicionais apanha-bolas jovens por modelos profissionais.

E se é verdade que a mudança de 2012 não foi a primeira no que diz respeito à superfície (criado em 2002, o torneio passou de piso rápido coberto para terra batida ao ar livre sete anos depois para reagir às necessidades dos circuitos, passando ainda a ser um evento combinado), foi indiscutivelmente a mais falada: Rafael Nadal detestou jogar sobre o pó de tijolo azul e ameaçou não regressar no ano seguinte, Novak Djokovic seguiu o mesmo caminho e a ele juntaram-se muitas outras vozes (sobretudo) do circuito masculino, que não teve outra hipótese que não banir a superfície a partir do ano seguinte.

Entre os poucos “não queixosos”? Roger Federer, que aproveitou os deslizes dos dois maiores rivais (Nadal perdeu para Fernando Verdasco na terceira ronda, Djokovic para Janko Tipsarevic nos quartos de final) e avançou até à grande final, onde levou a melhor sobre Tomas Berdych por 3-6, 7-5 e 7-5 para se tornar no primeiro e único jogador a vencer o torneio em três pisos diferentes); e Serena Williams, que arrasou (6-1 e 6-3) Victoria Azarenka no encontro decisivo para ficar com o título.

No final, a norte-americana não só revelou que “a única diferença entre a terra batida azul e a tradicional é que não te sujas tanto” como deixou um “recado” aos companheiros de profissão depois da chuva de críticas à superfície: “As mulheres são muito mais valentes do que os homens, por isso é que temos bebés. Nós não nos queixamos, simplesmente damos o nosso melhor. Não somos queixinhas.”

Quem também desvalorizou as diferenças foi Maria Sharapova, que revelou ser apenas necessário “um pequeno ajuste” para pisar um court “que é o mesmo para toda a gente” antes de destacar a grande vantagem da terra batida azul: “Na televisão fica bem”.

Esse foi, aliás, o argumento usado pelo diretor do torneio para a alteração, e a verdade é que o contraste entre a superfície revolucionária e a bola de ténis foi melhorado, mas não foi o suficiente para ser um sucesso e continuar a ser utilizado no torneio espanhol — e muito menos ser adotado por outros eventos. Ainda assim, Tiriac não perdeu a esperança e, anos mais tarde, confessou a vontade de voltar a ter courts azuis em Madrid. “Toda a gente via a bola muito mais facilmente, as televisões e os jogadores concordaram. O único problema foi que os jogadores escorregaram muito, mas eles nunca se queixaram da cor. Esperamos voltar a ter terra batida azul, todos a querem”.

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