1981, o outro ano em que o torneio de Monte Carlo não coroou um campeão

Em circunstâncias normais, a edição de 2020 do Rolex Monte-Carlo Masters chegaria ao fim este domingo com a coroação de mais um campeão. Só que a pandemia do novo coronavírus colocou o Mundo (do ténis e não só…) do avesso e congelou os circuitos mundiais até pelo menos meio do verão, deixando para trás vários torneios históricos — e também o nosso Millennium Estoril Open. Mas esta não foi a primeira vez na Era Open que não se coroou um campeão no principado do Mónaco.

Em 1981, décadas depois das edições de 1915-1918 e 1940-1945 terem sido canceladas por causa das Grandes Guerras Mundiais, os dois finalistas, Jimmy Connors e Guillermo Vilas, esperaram, entraram e saíram do court e acabaram por se despedir prometendo voltar mais tarde para concluírem o encontro — mas nunca o fizeram. E assim o histórico e pitoresco torneio monegasco (que se jogou pela primeira vez em 1897) ficou sem um campeão.

A decisão estava marcada para o Domingo de Páscoa mas o mau tempo adiou o encontro para segunda-feira. Um dia depois do previsto, o norte-americano e o argentino conseguiram entrar em court e dar início à discussão do título, mas o impensável aconteceu: relatos da épica recordam que depois de Connors resgatar um 0-30 no jogo de serviço e fazer o 5-5 no primeiro set já debaixo de chuva intensa, o encontro voltou a ser interrompido e depressa ficou claro que não poderia ser reatado nesse dia.

Nos bastidores, a organização começou por propor o reatar a final no dia seguinte, terça-feira. Mas nem Connors nem Vilas concordaram, alegando outros compromissos e a impossibilidade de ficarem mais um dia no principado. A segunda solução proposta foi o cancelamento da final e a divisão de pontos e prize-money entre os dois de igual forma, mas também esta solução agradou pouco aos tenistas. Ficou então decidido que os dois regressariam a Monte Carlo no dia 7 de junho, logo a seguir à final de Roland Garros, para concluírem o encontro e, consequentemente, decidirem o título. Mas com o passar do tempo o norte-americano mudou de ideias, depois de ir a Paris quis começar a preparação para a temporada de relva e ninguém regressou.

Para o torneio, que na altura era conhecido como Monte Carlo Open e pertencia à categoria Grand Prix, foi mais um balde de água fria numa edição que já tinha começado do avesso: o super-favorito Bjorn Borg, campeão das edições de 1977, 1979 e 1980 e primeiro cabeça de série, caiu logo na primeira ronda e um dos favoritos do público, Yannik Noah, foi travado nos quartos de final.

Doze anos mais tarde, lição aprendida: em 1993, quando a chuva voltou a ameaçar a conclusão do torneio, os responsáveis reduziram a final entre Sergi Bruguera e Cédric Pioline a três sets e “transportaram-na” para um court adjacente, mais pequeno mas dotado de uma cobertura que permitiu a conclusão do encontro e a consagração do espanhol pela segunda vez na história do evento.

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