Djokovic diz que Federer é o melhor de sempre e que passou a aceitar favoritismo de “Fedal”

Sem ténis, os profissionais viraram-se para as redes sociais como nunca e depois de quatro semanas relativamente discretas os maiores nomes da modalidade começam a apostar em conversas em direto entre si para fazer revelações profundas. Depois de ter estado uma hora à conversa com Andy Murray no dia anterior, este sábado Novak Djokovic falou com Stan Wawrinka e abordou a convivência com os seus dois maiores rivais.

“O Federer é provavelmente o melhor jogador de todos os tempos. É o jogador mais acarinhado em todo o mundo e na maioria dos casos não espero que o público esteja do meu lado, sei que na maioria das vezes vão apoiá-lo mais a ele e eu aceito isso porque é o Roger. E com o Rafa a situação é muito semelhante”, revelou o tenista sérvio, atual número um do mundo, quando chamado por “Stan the Man” a comentar as razões pelas quais não é tão popular entre os fãs.

Para Djokovic, a justificação passa muito pelo início das rivalidades com Federer e Nadal: “No início dos meus encontros com eles eu era este jogador novo e confiante que dizia que os respeitava mas conseguia vencê-los, conquistar grandes títulos e chegar a número 1. Acho que tudo isso criou estes sentimentos nas pessoas e as fez perguntar ‘quem é este que os está a desafiar’. De certa forma, nos primeiros três a cinco anos sentia que era eu contra o mundo. Sentia que tinha de o provar a toda a gente, que precisava de ser um guerreiro sem medo, e claro que isso me deu resultados mas ao mesmo tempo colocou-me numa situação com a qual foi difícil lidar.”

Apesar de ter sentido muitas dificuldades — nunca as escondeu — nos primeiros tempos, o jogador natural de Belgrado considera que já consegue lidar bem com a situação. “Claro que não é fácil teres a maioria das pessoas num estádio a torcer pelo teu adversário, mas desde que o façam com respeito lido bem com isso. Se forem desrespeitosos reconheço que posso agir de forma emocional mas não tenho orgulho nas reações que tive em determinadas alturas da minha carreira e não sou a favor de as ter, porque sei que preciso de preservar a energia para jogar o melhor ténis que consigo.”

Depois de se questionar sobre se contribuía para a relação com o público de forma negativa, Djokovic concluiu que “o que faz a diferença é mais a grandeza do Roger Federer e do Rafael Nadal. Não só como jogadores de ténis mas como pessoas, dois rapazes muito carismáticos, humildes e grandes campeões que deixaram uma grande marca no nosso desporto. Eu faço parte da era deles e de certa forma tenho sorte por isso, mas ao mesmo tempo não tanta.”

Wawrinka concordou e acrescentou. “Quando eras novo eles já eram grandes jogadores e grandes pessoas e é como num filme: nunca pode haver três bons rapazes no mesmo, há sempre um que é menos adorado e como tu eras mais novo foi essa a direção que as pessoas tomaram na altura.”

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