Presidente da ATP “perdoa” Roland Garros e diz que torneios mais prestigiados são a prioridade

Com a incerteza como única certeza, a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) está a estudar vários cenários para o que restar da temporada de 2020 e muitos deles mudam de dia para dia. A situação foi descrita por Andrea Gaudenzi, que na primeira grande entrevista como presidente “abriu o jogo” e falou dos planos mas também da situação de Roland Garros.

A viver um início de mandato diferente do planeado — antes do surto de coronavírus também teve de lidar com os incêndios australianos e toda a preocupação que adicionaram ao início da época —, o ex-jogador italiano acredita que a situação atual pode resultar em grandes oportunidades. “Há a possibilidade dos principais interessados do desporto [a ATP, a WTA, a ITF e os torneios do Grand Slam] começarem a colaborar mais. Todos temos importância, todos fazemos parte da mesma história e trabalhamos para os mesmos fãs e precisamos de utilizar esta altura para refletirmos, planearmos a longo prazo e criarmos o futuro que queremos para o nosso desporto”, afirmou, citado pelo website Ubitennis.

Depois da declaração inicial, Gaudenzi reconheceu que “o ténis é um desporto muito desfragmentado” e admitiu perceber a posição da Federação Francesa de Ténis (FFT), que tomou a decisão unilateral de adiar o torneio de Roland Garros sem se sentar à mesa com as restantes entidades. “Eu assisti ao discurso do [Presidente] Macron e ele foi muito direto sobre a gravidade da situação. Os franceses entraram em pânico e a FFT sentiu a necessidade de reservar aquela vaga de setembro independentemente do que possa acontecer até lá.”

“Esta decisão deu origem a uma conversa muito aberta e muito sincera com os presidentes das restantes entidades e chegámos à conclusão de que fazemos todos parte da mesma história e vivemos todos no mesmo ‘prédio’, por isso não há espaço para enganos. Roland Garros deu alguns passos atrás e percebeu a ideia do diálogo. E o US Open está a planear adiar o torneio se a situação não melhorar antes do verão”, completou o responsável máximo pelo circuito masculino, que deu a entender que não serão aplicadas quaisquer sanções ao Major francês — ou seja, a ir para a frente esta época deverá continuar a oferecer pontos para o ranking ATP.

Foi desta forma que Andrea Gaudenzi partiu para o detalhe daqueles que são, neste momento, os planos para o que restar de 2020. “Temos de tentar jogar o máximo de torneios que conseguirmos nas semanas que tivermos ao nosso dispor de forma a preservarmos o ranking e o prize-money e, acima de tudo, para darmos entretenimento aos nossos espetadores.”

E que espetáculo é esse? Se a situação melhorar, é desejo da ATP que a época termine com três torneios do Grand Slam disputados (o US Open e Roland Garros), sete dos nove Masters 1000 e o ATP Finals.

“Falei com todos os membros do Conselho de Jogadores, falei com o Roger, com o Rafa e com o Novak e todos concordam que a nossa filosofia deve ser realizar os torneios de maior prestígio. Temos falado do calendário da época e já criámos cerca de 50 versões que alteramos numa base diária. E também temos de considerar alguns dados que já são adquiridos, como a O2 Arena de Londres só estar disponível para o ATP Finals na semana de 15 a 22 de novembro e o mesmo acontecer com muitos dos torneios indoor, como Viena ou Basileia”, explicou.

Idealmente, gostávamos de marcar dois Masters 1000 em terra batida ou para antes, ou para depois de Roland Garros. Estamos a trabalhar na possibilidade de termos quatro semanas de terra batida depois do US Open e o cenário ideal seria termos a swing norte-americana durante o verão, depois a terra batida, depois a swing asiática e o ATP Finals. Se isso acontecesse permitia-nos salvar 80% da época depois de cancelarmos os torneios na relva. E com sete Masters 1000 e três Grand Slams não haveria muito espaço para reclamações. Se o US Open eventualmente for cancelado a situação torna-se muito mais complexa porque teríamos de considerar jogar em novembro e dezembro, mas neste momento estamos a concentrar-nos num recomeço depois de Wimbledon.”

A possibilidade de apoiar financeiramente os jogadores mais necessitados foi outro dos assuntos abordados por Andrea Gaudenzi, que garantiu que “em primeiro lugar vamos lidar com os Challengers e os torneios ATP 250, tal como com os jogadores cujo ranking está entre 250 e 500, porque são os mais necessitados. Não faz sentido darmos apoio aos jogadores do top 50 ou aos torneios do Grand Slam.”

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