Com “cuidados redobrados”, Frederico Silva voltou aos treinos e agarra-se aos detalhes

Margarida Moura/Federação Portuguesa de Ténis

Depois de um período de isolamento conjugado com a recuperação de uma lesão na perna, Frederico Silva voltou aos treinos na última semana. Os principais objetivos são manter-se ativo e não perder a forma, mas enquanto o Mundo e o ténis não recuperam a normalidade também há aspetos que podem ser trabalhados — agora mais do que nunca.

As revelações foram feitas pelo jogador das Caldas da Rainha na primeira edição das “Tertúlias de Ténis” promovidas pela Felner Tennis Academy nas redes sociais. “Para além de não podermos competir não sabemos quando é que o poderemos voltar a fazer e isso não é fácil porque estamos habituados a estar muito tempo em competição”, revelou na resposta a uma das perguntas dos seguidores. “Agora o nosso objetivo é lidarmos com esta situação da forma mais positiva possível, aproveitarmos este tempo para treinar alguns aspetos que não conseguimos durante o período competitivo e que podem ser positivas para quando voltarmos a jogar.”

Com cuidados redobrados, Frederico Silva explicou que “assim que chegámos do Cazaquistão, tanto eu como o Pedro cumprimos os 15 dias de quarentena que eram aconselhados para sabermos que estávamos bem. Depois saiu a notícia do Estado de Emergência e entretanto foi dito que os atletas de alta competição podiam treinar acompanhados pelos seus treinadores e foi o que começámos a fazer na segunda-feira [30 de março]: temos estado a treinar de manhã com todos os cuidados redobrados, desde lavar as mãos a mantermos a distância entre nós. Tem sido bom poder manter a atividade.”

Questionado pelo Raquetc, o número quatro nacional e 193.º ATP explicou que até à última segunda-feira “estive a fazer bastantes exercícios de recuperação em casa porque tinha uma lesão na perna. Foram muitos trabalhos de fisioterapia, reforço, flexibilidade e mobilidade e quando voltei ao campo parecia que já não me mexia há algum tempo, por isso nesta semana de trabalho voltámos com calma à atividade, para o corpo se ir habituando outra vez ao esforço. Foi um treino muito geral, obviamente sem ser virado para a competição imediata porque na melhor das hipóteses isso só acontecerá daqui a três meses.”

O treinador, Pedro Felner, destacou que “não saber quando [é que a competição regressará] é capaz de ser a questão mais desgastante em termos psicológicos. Quando sabemos o momento em que vamos voltar a competir podemos fazer um planeamento e organizar o nosso trabalho, não sabendo dificulta muito esse trabalho e também a motivação, quer para jogadores, quer para treinadores porque é a competição que nos faz querer estar aqui.”

E explicou aquela que entende ser a abordagem certa neste momento: “Como sabemos que na melhor das hipóteses só voltaremos a competir no verão devemos preparar um período de treinos logo. A ideia é agarrarmo-nos a um ou outro detalhe em que possamos estar focados e motivados para o irmos melhorando e ao mesmo tempo fazermos um treino mais descontraído, com situações que sejam menos pesadas em termos mentais para o jogador. No caso do Frederico esta semana foi influenciada pelo facto de ele ter estado duas semanas a fazer só treino físico e como tal optámos por não fazer quase nenhum drill em que ele tivesse de correr de forma sistemática mas sim mais exercícios com pouca movimentação e alguns com situações de jogo, em que ele acaba por não se movimentar em grande volume. Hoje acabámos o treino com um jogo de pares e acho que não o fazíamos há anos mas acho que agora tem de ser um bocadinho por aí — a ideia não é treinar por lazer mas treinar com um enquadramento mais leve e que acabe por ser mais divertido.”

“Quando tivermos a certeza do momento em que vamos voltar a competir vamos poder programar as semanas até à competição com um período de, digamos, pré-temporada, e depois pré-competitivo, mas neste momento penso que não faz grande sentido e acho que também vamos ter de ter algumas semanas de descanso”, completou o Diretor da Felner Tennis Academy.

A existência de uma rede de apoios para os jogadores profissionais foi outro dos temas abordados por Frederico Silva, que como resposta a um dos seguidores da tertúlia reconheceu que “nesta altura, como não temos torneios não temos rendimentos. Julgo que a ATP está a trabalhar numa solução de forma a apoiar jogadores e a fazer com que não sejamos muito prejudicados mas sinceramente não tenho nenhumas informações sobre as ideias deles, penso que neste momento estão focados em perceber quando é que se pode retomar o circuito e quando tiverem uma ideia mais concreta é que vão apresentar algumas medidas para apoiarem os jogadores.”

Numa longa conversa em que falou de tudo um pouco — desde os rituais de preparação antes de um encontro a alguns dos momentos mais marcantes da carreira —, o jogador português de 25 anos (celebrados durante o período de quarentena) também falou do calendário que tinha planeado para os próximos meses.

“Como o ano passado correu bem, este ano íamos misturar torneios Challenger com qualifyings de torneios ATP e como o meu ranking melhorou muito íamos voltar a jogar os Grand Slams. Foi uma pena esta situação ter acontecido agora porque íamos mudar o calendário para melhor, mas certamente que mais cedo ou mais tarde vamos voltar a competir e vamos ter um planeamento de acordo com o que for preciso na altura.”

Tertúlias de Ténis – À conversa com Frederico Silva!

Publicado por Felner Tennis Academy em Sexta-feira, 3 de abril de 2020

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."