Djokovic vira o que parecia perdido e conquista o Australian Open pela oitava vez

Ainda não é desta que o circuito masculino terá um campeão do Grand Slam nascido de 1990 para a frente. Dominic Thiem esteve perto de o conseguir mas foi Novak Djokovic quem sorriu por último para prolongar a hegemonia no Australian Open e o domínio dos “Big Three” nos quatro maiores torneios do calendário — uma luta cada vez mais intensificada.

O sérvio (de 32 anos) derrotou o austríaco (de 26) por 6-4, 4-6, 2-6, 6-3 e 6-4 para conquistar o oitavo título da carreira em Melbourne Park, que lhe permite chegar aos 17 em torneios do Grand Slam e ficar cada vez mais próximo dos seus maiores rivais: Rafael Nadal (19 títulos) e Roger Federer (20).

Se a tarefa mais difícil no ténis continua a ser derrotar Nadal em Roland Garros, a segunda será superar Djokovic no Australian Open: o sérvio tem um registo de 8-0 em meias-finais e 8-0 em finais disputadas no “Happy Slam”.

Este domingo, Dominic Thiem esteve perto. A disputar a terceira final da carreira em Majors, primeira fora da terra batida de Paris, o jogador austríaco reforçou a evolução sistemática que tem apresentado em superfícies rápidas e deu muita luta ao sérvio, um adversário contra o qual tinha somado vitórias em quatro dos últimos cinco encontros.

Depois de perder o primeiro parcial, em que ainda assim conseguiu travar uma entrada fulminante de Djokovic, Thiem reagiu bem e como do jogo do adversário e da fórmula para o sucesso começou a criar muitas dificuldades.

O número cinco do mundo (vai subir para o quarto lugar) revelou-se um “animal do court” e superou várias contrariedades — como o maior tempo passado em campo para chegar à final (uma diferença de quase 10 horas), o facto de ter tido menos um dia para descansar e, claro, perda de um primeiro parcial tantas vezes considerado determinante para todos aqueles que aspiram a vencer um dos “Big Three” num grande palco.

De tal forma que fez Djokovic perder a cabeça, contestar o árbitro de cadeira quando recebeu duas violações de tempo (chegou mesmo a tocar no pé do francês Damien Dumusois, o que lhe pode valer uma multa de 20 mil dólares) e perder o rumo dos acontecimentos. Quando o sérvio regressou ao encontro já Thiem estava prestes a adiantar-se pela primeira vez na final, e apesar da réplica que ainda encontrou o austríaco conseguiu mesmo agarrar-se à vantagem de dois sets a um.

A partir daí, os números estavam a seu favor: Novak Djokovic tinha perdido as sete finais de torneios do Grand Slam em que se encontrou numa posição semelhante e parecia fisicamente afastado da final. Só que continuava a ser um dos melhores da história do desporto e os melhores nunca podem ser descartados.

Ao 1-1 do quarto set Dominic Thiem não conseguiu aproveitar um precioso ponto de break e esse momento foi fundamental para o desenrolar do resto do encontro. A partir daí o parcial foi dominado pelo adversário e no quinto o austríaco não se conseguiu segurar durante muito tempo. Voltou a dispor de oportunidades para recuperar o terreno, mas nessa altura já Novak Djokovic tinha o olhar colocado no 17.º título da carreira em torneios do Grand Slam e no regresso ao primeiro lugar do ranking ATP.

Um ano depois é novamente rei de Melbourne.

Última atualização às 13h03.

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