Fed Cup. De malas feitas, Portugal persegue manutenção numa semana em que “tudo pode acontecer”

Jamor, OEIRAS — No court os últimos preparativos, na bagagem o cartão de embarque. A seleção nacional feminina realizou este sábado o último de três treinos antes de viajar para Helsínquia, capital da Finlândia, onde entre os dias 4 e 7 de fevereiro disputa pela segunda época consecutiva o Grupo II da Zona Europa/África da Fed Cup. Agora, tal como há um ano, o objetivo principal é a manutenção — mas a força de vontade e a evolução fazem com que haja mais no horizonte.

Este será o quinto ano de Neuza Silva no comando da equipa portuguesa, novamente muito jovem e que pela quinta vez consecutiva apresenta alterações na convocatória — com a grande diferença a assentar no facto de em 2020 essas mudanças serem opções técnicas e não consequências de lesões ou finais de carreiras.

O cenário reflete-se no discurso da capitã, que em declarações ao Raquetc fez um balanço bastante positivo dos trabalhos realizados nas últimas 48 horas no Centro de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis, no Jamor, em conjunto com o treinador Miguel Sousa: “Foram dois dias e três treinos excelentes. Houve uma entrega muito boa por parte das três jogadoras, sempre muito disponíveis mesmo havendo algum cansaço adicional que é natural depois de uma semana de treinos. Conseguimos gerir a condição física e estou muito satisfeita e otimista para esta semana de competição”.

Se em 2016 se estreou no comando da seleção a convocar Michelle Larcher de Brito, Maria João Koehler, Bárbara Luz e Inês Murta, em 2017 Neuza Silva substituiu a lesionada Koehler e a entretanto retirada Luz por Francisca Jorge e Rita Vilaça. Um ano mais tarde, em 2018, Murta e Jorge repetiram a chamada, Koehler voltou a estar apta e regressou mas Larcher de Brito — a melhor tenista portuguesa de todos os tempos — terminou precocemente a carreira e deu lugar à estreia de Maria Inês Fonte. Em 2019, nova lesão (Murta) e novo abandono (de Koehler, a meio do ano anterior) e mais duas estreias: Ana Filipa Santos e Cláudia Cianci.

Este ano a estreante é Matilde Jorge, de apenas 15 anos, que se junta à irmã, Francisca Jorge (19 anos), a Inês Murta (22 anos) e a Maria Inês Fonte (18 anos celebrados este sábado). A jogadora natural de Guimarães não fez parte da sessão de trabalhos do fim de semana porque esteve a competir no circuito júnior internacional (terminou como finalista de pares na Tunísia) e a experiência que já tem “fora de portas” é um dos motivos que leva Neuza Silva a estar otimista em relação a uma integração rápida e muito tranquila.

“É uma jogadora que se estreia ainda mais cedo mas já tem muita experiência a nível internacional e acho que vai ser muito bem integrada. A Matilde já trabalha no dia a dia com duas das jogadoras [Jorge e Fonte, no Centro de Alto Rendimento da Federação Portuguesa de Ténis], também conhece a Inês Murta e acho que estamos a construir uma equipa coesa, ainda muito jovem é certo, mas que a cada ano sinto mais integrada e que reúne condições para estarmos bastante fortes.”

Quanto aos objetivos, a manutenção no Grupo II volta a ser a meta estipulada — para isso é preciso ficar nos dois primeiros lugares de um grupo composto por quatro equipas ou vencer o play-off que reúne terceiros e quartos classificados — mas a selecionadora nacional e ex-número um portuguesa (chegou a ser 133.ª no ranking WTA) lembrou que “esta é uma semana com emoções diferentes, em que tudo é totalmente diferente do resto da temporada. Temos quatro jogadoras que adoram esta semana, sentem muito a camisola e dão-se bem em grupo e a partir daí tudo pode acontecer.”

O discurso é comum àquelas que entre 4 e 7 de fevereiro — de terça a sexta-feira — vão ser as protagonistas nos courts de piso rápido indoor do Tali Tennis Centre.

Tricampeã nacional de singulares e tetra em pares, Francisca Jorge não escondeu que “as sensações já não são novas mas não deixam de existir porque esta é uma semana muito importante para a equipa, para o país e para mim. Gosto e sinto muito o momento de representar a nossa nação e por isso há sempre a pressão e o compromisso de querer fazer o melhor possível. Ontem, por ser o primeiro dia de estágio, estava mais tensa, mas consegui soltar-me e hoje já treinei melhor, o que foi importante para amanhã encarar bem a viagem e o treino de adaptação à tarde porque na terça-feira já temos de começar ‘com tudo’.”

Em ano de regresso depois de uma ausência forçada devido a uma lesão que a manteve afastada do circuito entre outubro de 2018 e maio de 2019, Inês Murta também partilhou o entusiasmo. “É sempre uma honra representar a seleção nacional e neste momento sinto-me bastante grata e feliz por estar em condições de poder jogar por Portugal.”

A algarvia surge atrás de Jorge no que diz respeito a encontros realizados mas lidera no número de participações na Fed Cup (será a sexta) e revelou-se confiante em relação à forma como as edições anteriores a podem ajudar nesta tarefa coletiva. “Nos últimos anos jogámos quase sempre com países de um nível superior àquele a que estamos habituadas e sinto que nessa matéria já parto preparada para aquilo que vamos enfrentar”.

Maria Inês Fonte, que foi convocada pela primeira vez em 2018 e foi a jogo no ano seguinte, reiterou que estar na Fed Cup “é um sonho realizado porque desde pequenina que queria representar o meu país e por isso aproveito todos os momentos e aprender com elas e com as jogadoras estrangeiras”.

No dia em que atingiu a maioridade, a jogadora natural da Escola de Ténis da Maia descreveu a semana como “inesquecível” e depois de confessar o natural nervosismo que a situação causa deixou uma garantia: “Vamos dar todas o nosso melhor e representar a nossa nação da melhor forma possível” — doutrina perfeita para encerrar esta peça de lançamento de mais uma participação de Portugal na Fed Cup.

A viagem da seleção nacional está marcada para as 6h de domingo, o mesmo dia em que se realiza o sorteio.

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