Com muito brilho à mistura, Sérvia é o primeiro país a chegar à final da ATP Cup

Desesperada por um título depois de uma despedida desoladora do novo formato da Taça Davis, a Sérvia deu este sábado um passo muito importante na direção certa ao derrotar a Rússia para fechar à primeira final da ATP Cup. Falta saber se Novak Djokovic e companhia vão enfrentar a Espanha, de Rafael Nadal, ou a anfitriã Austrália.

Na primeira meia-final do dia em Sydney, dois encontros de singulares bastaram para se conhecer a equipa vencedora mas nem por isso faltou emoção — ou muito bom ténis.

Vindo de uma segunda metade de 2019 desastrosa (depois de conquistar Umag, em julho, só somou mais quatro vitórias), Dusan Lajovic voltou a provar que está determinado em começar o novo ano com o pé direito e alinhou uma das melhores exibições da carreira — como o próprio referiu no pós-jogo — para derrotar Karen Khachanov por 7-5 e 7-6(1).

O russo não jogou nada mal: não só terminou o encontro com 9 ases (contra 1 do sérvio) como apontou 39 winners, mas Lajovic esteve soberbo e apesar da diferença entre pontos ganhantes (26) e erros não forçados (16) não ter sido assim tão grande conseguiu fazer a diferença nos momentos mais importantes e pouco ou nada deixou a apontar num leque de pancadas que parece pronto para enfrentar a nova temporada.

Com um pássaro na mão, a Sérvia contava com Novak Djokovic para agarrar o outro. Mas do lado oposto do campo estava a grande revelação de 2019, Daniil Medvedev, e por isso a Rússia ainda acreditava que podia ter uma palavra a dizer na meia-final.

Só que o número 2 do mundo entrou em ação com a quinta mudança já posta, em piloto automático e quando pestanejou já o marcador assinalava 6-1 e 1-0 com um break a seu favor. O primeiro sinal de fraqueza de Djokovic chegou ao oitavo jogo. E porque Medvedev nunca desistiu, quando o quinto classificado do ranking conseguiu lá finalmente dar finalmente um ar da sua graça para fazer o contra-break o jogo teve um significado redobrado: transformou-se numa mudança de ascendente inesperada que minutos mais tarde — e com muito bom ténis de parte a parte pelo meio — culminou no igualar do resultado.

Se inicialmente aparentou ser um duelo desequilibrado, o encontro acabou por se transformar numa batalha que rapidamente começou a reunir muitas atenções e elogios um pouco por todo o mundo — aqui se vê o poder das redes sociais… —, de tal forma que houve até quem, no entanto de forma exagerada, até o tenha começado a classificar como um dos melhores da carreira do sérvio quando Novak Djokovic consumou o triunfo por 6-1, 5-7 e 6-4.

Mais realista é apontar quer um, quer outro protagonistas do segundo encontro deste sábado como dois dos maiores — senão mesmo maiores — candidatos à chegada à final no primeiro torneio do Grand Slam da temporada, o Australian Open.

Mas uma coisa a seu tempo e primeiro a ATP Cup: feitas as contas, a Sérvia derrotou a Rússia por 2-0 para avançar para a grande final, ficando agora à espera do desfecho da meia-final entre a Espanha, o único país que conta com dois elementos do top 10 mundial entre os convocados (Rafael Nadal Roberto Bautista Agut) e a Austrália, que apoiada em Alex de MinaurNick Kyrgios quer continuar a escrever uma história inesquecível.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."