Andy Murray a meio gás vira o que parecia perdido e evita desastre para a Grã-Bretanha

Kosmos Tennis

MADRID — 10 meses depois de se ter despedido dos courts e abraçado uma cirurgia recheada de dúvidas, Andy Murray podia ter colocado um ponto final na temporada quando conquistou o primeiro título do regresso, em Antuérpia, e deu as boas vindas ao terceiro filho.

Mas o compromisso para com a Grã-Bretanha continua a falar mais alto para o ex-número 1 do mundo, que se voltou a sacrificar para viajar com a equipa até Madrid e esta quarta-feira garantiu uma entrada com o pé direito nas Davis Cup Finals depois de muito sofrer: derrotou o número 179 do mundo Tallon Griekspoor (que nunca jogou num quadro principal de um Grand Slam) por 6-7(7), 6-4 e 7-6(5) num encontro com desenrolar de acontecimentos e ambiente típicos da Taça Davis.

Foram precisas 2h51 para se encontrar um vencedor no primeiro encontro do dia entre Grã-Bretanha e Holanda.

E para além da recuperação que teve de construir depois de perder o set Andy Murray também precisou de inverter uma desvantagem de 4-1 no tie-break do parcial decisivo.

“Não acho que tenha merecido ganhar este jogo… Tentei lutar e deixar tudo o que tinha em campo, chegar sempre a uma bola extra e ao 4-3 do tie-break tive um momento de sorte que foi suficiente para dar a volta”, revelou na análise imediata a uma vitória muito importante para a Grã-Bretanha, que até entrou com uma vantagem na competição: porque está atrás de Daniel Evans no ranking, se Andy Murray for chamado pelo capitão Leon Smith é automaticamente para o primeiro encontro, em que defronta o segundo melhor jogador de cada país e não o primeiro.

Pondo as coisas de outra forma, se a Sérvia e a Grã-Bretanha se vierem a cruzar nas meias-finais (e todos os jogadores estiverem bem fisicamente), Andy Murray disputará o primeiro encontro, frente a Filip Krajinovic, e não contra Novak Djokovic (que defrontará Daniel Evans).

A forma do tenista britânico deixou claro que será difícil ver um Andy Murray capaz de se exibir ao mais alto nível durante cinco dias consecutivos caso a Grã-Bretanha consiga a proeza de chegar à final das Davis Cup Finals, mas a equipa tem de dar um passo de cada vez e para já foi suficiente para colocar nas mãos do compatriota a possibilidade de vitória na jornada de estreia.

Numa curta fase de grupos, o primeiro triunfo é fundamental para os países não ficarem imediatamente dependentes dos resultados dos rivais, uma vez que aos quartos de final apenas passam os primeiros classificados de cada um dos seis grupos e os dois segundos melhores.

Última atualização às 14h27.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."