Nadal número 1 do mundo: “Nunca pensei que aos 33 anos ia voltar a erguer este troféu”

Minutos depois de derrotar Stefanos Tsitsipas para se manter na luta pela presença nas meias-finais do Nitto ATP Finals — o que agora já não depende dele —, Rafael Nadal recebeu das mãos de Chris Kermode o troféu de número 1 mundial no final do ano pela quinta vez na carreira.

Num momento especial, o tenista espanhol não escondeu as emoções e partilhou com todos o significado da taça. “Para ser sincero, o que é que posso dizer? Estou super feliz. Depois de tudo o que passei na minha carreira em termos de lesões nunca pensei que aos 33 anos e meio ia voltar a ter este troféu nas minhas mãos. É um momento muito, muito emotivo para mim. Trabalhámos muito nas sombras para estarmos onde estamos hoje e sem a minha equipa e a minha família, que estão aqui comigo, isso seria impossível.”

No fundo, ainda estar na luta por um lugar nas meias-finais já se trata de um feito para Rafael Nadal: o espanhol chegou a Londres em dúvida depois de ter contraído uma lesão abdominal que o fez desistir das meias-finais do Masters 1000 de Paris e perturbou, sobretudo, o movimento de serviço; entrou com o pé esquerdo ao ser derrotado num encontro de sentido único por Alexander Zverev e esteve a perder por 5-1 e 40-30 no último set do encontro com Daniil Medvedev — em que uma derrota teria significado o afastamento e a possibilidade de perder a posição cimeira do ranking para Novak Djokovic.

“Já vivi alguns momentos muito mais e sempre estiveram comigo, como por exemplo este ano, em Monte Carlo [quando considerou afastar-se provisoriamente do ténis devido a várias lesões]. Deram-me a coragem de continuar a lutar e não lhes consigo agradecer o suficiente por isso”, prosseguiu o espanhol, que no início da cerimónia já tinha deixado palavras de apreço a Kermode — Presidente e CEO da ATP que está de saída — “por todo o trabalho que fizeste pelo ténis”.

Rafael Nadal também não esqueceu o apoio dos fãs “que em todo o mundo me dão o vosso apoio em todas as semanas em que estou a jogar. É muito difícil descrever o que sinto quando estou no campo, quando entro e vocês me apoiam desta forma. Muito obrigado a todos vocês que me apoiam.”

A terminar, o campeão em título de Roland Garros e do US Open deixou uma mensagem de esperança: “Não sei se vos vou voltar a ver amanhã porque depende do encontro da tarde mas quer hoje, quer há dois dias fiz tudo o que podia: lutei até ao fim. Se tiver a possibilidade de jogar contra o Roger perante vocês será uma grande honra. Senão, espero mesmo ver-vos no próximo ano.”

Última atualização às 17h55.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."