Pascoal e Oliveira confirmados como campeões nacionais de padel cinco dias depois de perderem a final

Pelo segundo ano consecutivo, Vasco Pascoal e Miguel Oliveira são os campeões nacionais de padel. Mas se em 2018 ergueram os troféus ao vencerem a final, em 2019 saíram derrotados do encontro decisivo e tiveram de esperar praticamente cinco dias até que o título lhes fosse atribuído… Na “secretaria”.

Isto porque na final que aconteceu no Lisboa Racket Centre, o lisboeta e o oeirense perderam por 7-5 e 6-3 para Diogo Rocha e Antonio Luque, que não estavam habilitados ao estatuto de campeões nacionais.

Apesar de ser presença habitual nos torneios organizados em solo português (é, aliás, o atual número 1 do circuito), Antonio Luque tem nacionalidade espanhola e, por isso, nunca tinha sido autorizado a jogar o Campeonato Nacional de Padel português.

Só que em 2019 o Instituto Português do Desporto e da Juventude alterou os regulamentos e passou a permitir a participação de cidadãos europeus residentes em Portugal nos campeonatos nacionais, pelo que, em conformidade com o estabelecido, a Federação Portuguesa de Padel reviu as condições da prova e determinou que o título de campeão nacional seria “atribuído ao par 100% português melhor classificado”.

Tomadas as decisões e alterados os regulamentos, Rocha e Luque — parceiros assíduos nos restantes torneios — foram a jogo e chegaram à final. Como premissa, estava definido que em caso de vitória da dupla seria consagrada campeã nacional a parceria derrotada nesse encontro (no caso de ser 100% portuguesa), ou seja, Vasco Pascoal e Miguel Oliveira.

Mas por razões desconhecidas a Federação Portuguesa de Padel (que não respondeu às tentativas de contacto levadas a cabo pelo Raquetc no início da semana tendo em vista o esclarecimento da situação) não lhes atribuiu de imediato o título, levando a cabo apenas a entrega dos troféus de vencedores da prova a Diogo Rocha e Antonio Luque.

Só esta sexta-feira, cinco longos dias depois e após uma votação levada a cabo pelos órgãos sociais da FPP, é que Pascoal e Oliveira puderam celebrar oficialmente um título que, de acordo com os regulamentos, já tinha sido por eles conquistado no domingo.

Quanto ao estatuto de finalistas, foi entregue a João Bastos e Diogo Schaefer, que venceram um “encontro improvisado” (estipulado nos minutos que antecederam o começo da final) contra Bernardo Bastos e João Magalhães — os outros dois jogadores que tinham sido derrotados nas meias-finais — por 6-2 e 6-2. A realização deste encontro não é referida pela FPP no comunicado emitido esta sexta-feira.

Um legado cada vez maior

A vitória no Lisboa Racket Centre permitiu a Vasco Pascoal consolidar o estatuto de maior vencedor de campeonatos nacionais de padel em Portugal, contando agora sete títulos: seis em provas organizadas pela Federação Portuguesa de Padel e um no torneio que durante seis anos foi organizado pela Federação Portuguesa de Ténis.

Quanto a Miguel Oliveira, conquistou o seu quarto título de campeão nacional: três pela Federação Portuguesa de Padel, um pela Federação Portuguesa de Ténis. Enquanto dupla, Pascoal e Oliveira — que chegaram ao terceiro título — igualam o registo que o mesmo Vasco Pascoal conseguiu ao lado de Diogo Rocha entre 2013 e 2015, antes do portuense alinhar e vencer com… Miguel Oliveira.

Historial de campeões nacionais de padel:

  • 2019: Vasco Pascoal e Miguel Oliveira
  • 2018: Vasco Pascoal e Miguel Oliveira
  • 2017: Vasco Pascoal e João Bastos
  • 2016: Diogo Rocha e Miguel Oliveira / Pedro Alves e Pedro Franchi Mendes*
  • 2015: Diogo Rocha e Vasco Pascoal / Gonçalo Nicau e João Roque*
  • 2014: Diogo Rocha e Vasco Pascoal / Gonçalo Nicau e João Roque*
  • 2013: Diogo Rocha e Vasco Pascoal / Vasco Pascoal e Miguel Oliveira*
  • 2012: João Roque e Diogo Rocha*
  • 2011: João Roque Pedro Plantier*

*Campeonato Nacional organizado pela Federação Portuguesa de Ténis

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."