Super-favorita Kaia Kanepi encerra participação de Inês Murta no Oeste Ladies Open

Escola Rafael Bordalo Pinheiro

CALDAS DA RAINHA — Chegou esta quinta-feira ao fim a participação portuguesa no Angogerman Oeste Ladies Open, o maior torneio internacional de ténis feminino a acontecer em Portugal desde 2014. Inês Murta, a número dois nacional, tinha sido a única a vencer em singulares e foi travada pela ex-top 15 mundial Kaia Kanepi, enquanto Francisca Jorge e Sara Lança, com as respetivas parceiras, perderam em pares.

Já se sabia que Inês Murta teria pela frente muitas dificuldades no ténis de Kaia Kanepi, de longe a jogadora mais credenciada do torneio, e dentro do campo isso verificou-se. A algarvia ainda conseguiu entrar bem e oferecer resistência nos primeiros jogos, com variações na altura da bola que criaram desequilíbrios à estónia de 34 anos, que uma vez adaptada ao jogo da portuguesa, de 22 anos, passou a não dar hipóteses.

Detentora de um ténis potente, de uma movimentação muito trabalhada e de uma concentração exímia, a campeã do Estoril Open de 2012 alinhou 12 jogos consecutivos para vencer por claros 6-2 e 6-0.

Apesar da derrota, Inês Murta despediu-se do Angogerman Oeste Ladies Open com uma das vitórias mais importantes da carreira — a primeira a este nível — e, esta quinta-feira, uma prestação da qual retirou boas ilações. “Foi um encontro de que desfrutei bastante. É muito bom, trabalhamos para jogar a este nível e é sempre bom jogar um encontro assim. Demonstrei que consigo jogar num nível mais alto. Obviamente que há coisas que têm de melhorar bastante mas gostei do encontro que fiz.”

Taticamente, a tenista algarvia referiu que “depois de a conseguir desequilibrar bastante com a altura de bola e a bater de forma agressiva faltou aproveitar mais as dificuldades que lhe causei. Ela começou a adaptar-se ao meu spin e elevou o nível dela.”

O treinador, João Antunes, destacou a importância que a participação num torneio desta dimensão teve para que os dois percebam “o patamar em que estamos e o que precisamos de trabalhar: a consolidação dos padrões de jogo, a potência dos golpes, neste caso específico conseguir, em momentos em que está taco a taco com a adversária, manter a potência para lhe criar desequilíbrios, a consistência na qualidade das bolas e a movimentação no court.”

Já Kaia Kanepi, começou por surpreender ao revelar que “neste momento considero que não preciso de treinar muito antes de jogar, por isso ontem só bati umas bolas antes do encontro e hoje nem sequer aqueci”. Depois, a primeira cabeça de série deixou elogios ao jogo de Inês Murta. “Acho que ela jogou muito bem, aplicou muito spin às bolas e isso fez-me ficar desconfortável. Tive de jogar melhor para conseguir derrotá-la.”

Os restantes encontros do dia foram pautados por maior equilíbrio e foram várias as batalhas com contornos interessantes: Georgina Garcia-Perez conseguiu surpreender a quarta favorita Pemra Ozgen (5-7, 6-3 e 6-4); Cristina Bucsa deu a volta à wild card Laura Pigossi (3-6, 6-2 e 6-4); e Ylena In-Albon derrotou a qualifier Ainhoa Atucha Gomez (2-6, 7-6[3] e 6-4). Viktoriya Tomova, Natalija Kostic, Jessika Ponchet e Isabella Shinikova também garantiram um lugar nos quartos de final do torneio.

Nos pares, tal como em singulares, a jornada não sorriu às cores portuguesas. Mas se ao lado da russa Ekaterina Shalimova a lusa Sara Lança pouco conseguiu fazer (perdeu por 6-3 e 6-1 para as primeiras favoritas Sarah Beth Grey e Eden Silva), Francisca Jorge ainda se colocou em posição de discutir o acesso às meias-finais ao lado de Olga Parres Azcoitia.

Habituadas a jogar juntas (já conquistaram dois títulos em quatro finais no circuito ITF esta época), a portuguesa e a espanhola conseguiram deixar para trás um primeiro set menos conseguido e foram à luta, ao recuperarem da desvantagem de um break para adiarem a conclusão do segundo parcial até ao tie-break. No “tira-teimas”, a cazaque Anna Danilina e a alemã Vivian Heisen voltaram a ser muito superiores e acabaram por vencer com 6-2 e 7-6(3).

A jornada de sexta-feira volta a arrancar às 11 horas, primeiro com os encontros dos quartos de final de singulares e, já da parte da tarde (nunca antes das 16h), as duas meias-finais de pares.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a histórias, a recordes. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais — por isso depois chegaram o padel, o ténis de mesa e o squash. E assim cá estamos, no Raquetc ("raquetecétera"). Como escreveu Pessoa, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."